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"A literatura insinua e coloca questões muito mais do que as responde ou resolve."

-------------------Milton Hatoum, escritor brasileiro



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domingo, 25 de julho de 2010

DIA DO ESCRITOR 2010

Poucas pessoas sabem o que se comemora no dia 25 de julho. Tenha certeza que, se o Dia do Escritor se fosse feriado nacional, data que permitisse que todos abandonassem seus empregos e fossem à praia, ao futebol ou às compras, seria um dia lembrado por todos os brasileiros. Mas escrever é algo irrelevante para a maior parte da sociedade brasileira. Certamente esta é a razão de sermos um país “sempre” em desenvolvimento.

Escrever é uma forma de comunicação, de falar com as outras pessoas. Complexa, sem dúvida, mas não inatingível. Para muitas pessoas, escrever é um verdadeiro suplício. Quando elas têm que expressar suas ideias ou pensamentos através da escrita, para redigir uma simples carta ou redação escolar sentem imensas dificuldades. Para outras, escrever é algo muito simples, quando não percebem que o que escrevem não passa de bobagem, de texto sem estrutura e teor, ou ainda, quando julgam que aquilo que depositaram sobre o papel é algo criativo, inovador, formidável. Realmente, escrever para quem não gosta, não tem aptidão ou pendor, é atividade desconfortável, desagradável e entediante. Porque escrever é uma atividade que exige criatividade, entusiasmo, perseverança, equilíbrio e dedicação, qualidades imprescindíveis ao escritor. Aqueles que escrevem com seriedade e primor tentam, a duras penas, compartilhar equilíbrio, emoções, sentimentos, conhecimentos e apoio a seu semelhante. Escrever é atividade de criação a partir do nada, do papel em branco, imprimindo-lhe sinais gráficos, letras, que formarão palavras, que darão forma e conteúdo ao texto. Escrever uma narrativa ou redigir uma redação não é simplesmente colocar no papel aquilo que corre na mente como as torrentes de um ribeirão revolto. É harmonizar palavras, frases, dando-lhes teor, consistência, brilho estético, profundidade. Escrever com primor é tarefa de lapidação que nos obriga a ter disciplina, esmero, meticulosidade, mansidão e inesgotável paciência. Escrever não pode ser uma atividade encarada como bobagem, como idiotice como inúmeras pessoas julgam. É triste que pensem assim.

Escrever é um ofício menosprezado pela maioria dos brasileiros. Até porque poucas pessoas realmente leem. Elas acham que ler é perda de tempo, ainda mais escrever. Acham que a escrita é coisa inútil, improdutiva, que quem escreve é gente que não tem o que fazer, ociosa, que provavelmente não conseguirá publicar o que escreveu. Mas há pelo menos uma razão para a maioria da população pensar assim. Essa maioria não lê, não porque não gosta, mas porque não é incentivada. Os livros no Brasil são extremamente caros e não há interesse que o povo se torne culto, esclarecido. A classe dominante não deseja que a maioria empobrecida adquira conhecimentos, se torne culta, tenha consciência de princípios e valores morais. Quem sabe quer mais, entende mais, não aceita mais. Infelizmente, devido à conjuntura nacional o povo não tem dúvidas diante do dilema de comprar um livro ou um sanduíche para saciar a fome.

O escritor é um solitário, um ser incompreendido que busca na escrita seu alívio, sua alegria, sua realização. Quando senta diante do monitor ou da folha de papel, sua mente se liberta de todas as correntes que a manietam, expressando livremente o que circula em seu coração. Ele “confessa” seu íntimo ao próximo, sem se preocupar com o que ele ou outrem vão pensar de suas criações. Compartilha sem temor ou vergonha suas alegrias, ideias, emoções, angústias e medos. E apesar das dificuldades, das críticas mordazes, sua maior recompensa emerge de maneira vibrante quando é lido, mesmo que de forma irrelevante e descompromissada.

Muitos que escrevem se intitulam escritores, mas na realidade não o são. Não tem pendor, vocação. Emprestam suas ideias e pensamentos a terceiros que possuem o dom e com recursos financeiros publicam suas criações. Publicam, não são publicados. Na realidade não há mérito em suas obras. Talvez seja essa a razão porque, muitas vezes, compramos livros que depois da leitura nos arrependemos. Nem tudo que é publicado tem valor literário, agrada ao leitor.

Tornar-se um escritor reconhecido é tarefa hercúlea. Tantos escrevem com dedicação e primor, por anos, e nunca são reconhecidos por suas belas obras. Ser um escritor de renome é uma conquista imprevisível. É algo como acertar na loteria. Arrisca-se todas as semanas, mas ganhar sozinho todo o prêmio é fato que não se pode prever.

Que este dia não passe em branco, pelo menos nos corações dos escritores e daqueles que amam a literatura. Aos meus colegas de ofício, não desanimem, continuem a escrever e felicidades.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O CASO BRUNO E O CASO MÉRCIA

A violência aumenta e se diversifica. É o que vemos nos jornais televisivos e lemos nos periódicos. Anteriormente foi o caso Isabela Nardoni, marcado por imensa brutalidade, agora, quase simultaneamente ocorrem os casos Bruno e Mércia. O ponto crucial de todos foi a violência contra a mulher. Matar por ciúme? Matar por não desejar assumir a paternidade de uma criança? O homem, a cada evolução, regride em sua conduta. Animaliza-se. Parece que o universo masculino perdeu o discernimento, esqueceu a empatia por seu semelhante, ou pior, deixou-se levar pelo ódio, pelo ressentimento desperto pelas emoções que o dominam momentaneamente. Por não existir dom maior que a vida, não há o que justifique matar um ser humano ou atentar contra sua integridade física. Mas a culpa deve ser focada unicamente no homem, no macho? Acho que não.

A serpente (fêmea) seduziu Eva, que por sua vez seduziu Adão a cometer o pecado de comer o fruto proibido. Talvez a fonte de todos os erros comece aí. A mulher ao longo do tempo, em todos os tecidos da sociedade, foi buscando, mesmo que de forma discreta, ascender ao patamar masculino. Um grande avanço foi a comercialização da pílula anticoncepcional por volta de 1960. Por inibir a fertilização e promover o planejamento familiar, a pílula foi criticada por diversos setores, pois sua instituição permitiu às mulheres mudanças de comportamento sexual, dando-lhes autoconfiança e maior liberdade, fato que alterou o quadro social e o processo natural de reprodução. A mulher passou a relacionar-se com o homem que desejava sem temer o risco de engravidar. Simultaneamente, permitiu uma maior flexibilização dos valores morais e o ingresso da mulher no mercado de trabalho. Mas a consciência feminina não previa e nem imaginava que essa ampla e redentora liberdade acabasse por distorcer-se tão severamente ao longo dos tempos, levando gerações a despojar-se de valores imprescindíveis ao caráter e a própria valorização da mulher. A imoralidade e a prostituição que se restringiam a uma parcela de mulheres da sociedade, devido à condição econômica em que estavam inseridas, mesclaram-se aos padrões de conduta e decência então vigentes, descaracterizando-se. Em consequência, inúmeras mulheres passaram a adotar uma conduta lasciva e luxuriante sem se a perceber disso. Perderam o senso de preservação, de caráter, deixando de discernir aquilo que era correto, respeitável, daquilo que lhes comprometia a moralidade, a dignidade. Este processo se propagou de geração em geração e a sociedade não tem mais como corrigir essa terrível falha comportamental. Não afirmo que as mulheres envolvidas nas fatalidades em tela pertençam ao referido segmento feminino, entretanto, é visível que não souberam escolher seus consortes em função dos homens com os quais se envolveram.

Em contrapartida, diante desta postura feminina, o homem passou a ver a mulher não como companheira, não como alguém com quem pode compartilhar sua felicidade e anseios, mas como um ser (frágil) que se equiparava a ele, em atributos e capacidades. A mulher passou a ser encarada como um igual, que alçou posições tipicamente pertencentes a esfera masculina. Em face da premissa, o homem passou a não conter suas emoções, permitindo que a violência tomasse conta das relações amorosas que contrai. A mulher tornou-se vítima desta violência, bem como seus filhos.

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos de idade, desapareceu em 23 de maio e foi encontrada morta no dia 11 de junho em uma represa em Nazaré Paulista, interior de São Paulo. Exames comprovaram que ela levou um tiro no rosto antes de morrer. A polícia ainda investiga se Mércia foi mantida em cativeiro antes de ser assassinada. O ex-namorado Mizael Bispo de Souza, um homem ciumento com o qual ela manteve relacionamento por quatro anos estava foragido, pois é o principal suspeito de articular e executar a morte da advogada, mas com a suspensão de sua prisão preventiva, ele reapareceu e está para ser ouvido novamente pelo delegado responsável.

A ex-modelo Eliza Samudio, 25 anos de idade, teve um envolvimento amoroso com o goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, em maio do ano passado. Possivelmente deste relacionamento nasceu uma criança para qual ela solicitava um teste de DNA ao goleiro para verificar a paternidade da criança. Segundo as investigações da polícia, ele e mais sete pessoas estão envolvidos no sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza, que continua desaparecida até o presente momento.

Ambas foram atraídas por seus amantes a lugares adequados a execução de suas mortes. Traídas por aqueles que deveriam zelar por suas vidas, em qualquer contexto social ou amoroso em que estivessem. Os algozes pensavam que poderiam cometer tais atrocidades e permanecer impunes, mas a justiça humana, mesmo que falha algumas vezes, acaba por ser guiada pela justiça divina e somente aquele que nos concede a vida pode retirá-la. Devemos nos compadecer da dor que as famílias estão vivenciando no momento e concentrar nossos anseios para que os responsáveis sejam presos e punidos no rigor da lei.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

UM HOMEM CHAMADO MACÁRIO

UM CAFEZINHO E... EU PAGO A PROSA

O evento da Internet foi um enorme avanço para a comunicação e o relacionamento das pessoas e, em particular, para a literatura. Ela permitiu que as notícias, conhecimentos e informações chegassem mais rapidamente ao público; que se vencesse a atemorizante timidez; que se divulgasse aquilo que se pensa sem a necessidade de se publicar num periódico ou revista impressa; e ainda proporcionou uma série de outras possibilidades. Aproximou as pessoas, criou laços (virtuais) até então nunca existentes. Através dela foi permitido a escritores, poetas e todos aqueles que gostam de escrever, que “publicassem” suas obras, suas criações.

A partir de 01 de julho de 2010, passo a compartilhar uma de minhas obras inéditas com o grande público internauta. Afinal, todo escritor deseja que suas obras sejam lidas, apreciadas, devoradas por aqueles que gostam de uma boa leitura ou simplesmente por aquele leitor eventual que busca uma boa obra nas prateleiras de uma livraria. Um Homem Chamado Macário é um romance para o qual fiz uma longa pesquisa, visitei os lugares onde ele ocorre, coloquei os personagens em ação no contexto físico, para que a narrativa tivesse verossimilhança. Ele é intenso e acredito que emocionará o leitor por seu vigor, dinamismo, leveza. Sua densidade prenderá o leitor mais desavisado, que ficará ansioso pela postagem seguinte.

Gostaria que aqueles que lerem o romance Um Homem Chamado Macário, opinem, deixem sua real impressão da obra que foi feita para vocês, que tanto me honram com suas visitas ao meu blog.

Felicidades e boa leitura.

terça-feira, 22 de junho de 2010

POÇOS DE CALDAS E O DETETIVE JULES D’ARCO

Em visita de férias a uma das mais belas cidades do Brasil tive a grata oportunidade de conhecer algumas pessoas adoráveis, hospitaleiras e muito atenciosas. Trataram-me com dignidade, educação e distinta atenção, qualidades que depois, passeando e comprando nas lojas e supermercados da cidade, puder perceber que representam o cartão-postal da cidade de Poços de Caldas, município que possui a melhor qualidade de vida do Estado de Minas Gerais.

Passados alguns dias percorrendo pontos turísticos, conheci locais paradisíacos, como o Cristo Redentor, localizado no alto da Serra de São Domingos, monumento que impressiona por seu tamanho e beleza, lembrando o mesmo Cristo Redentor do Rio de Janeiro, como que a abençoar esta cidade maravilhosa e proporcionando belíssima visão de toda a região. Depois conheci o Complexo Cultural da Urca, que abriga o espaço cultural da cidade, com um teatro com capacidade para 500 pessoas e onde abriga anualmente, dentre outras atrações, a Feira Livro de Poços de Caldas; a bela cachoeira Véu das Noivas; o paradisíaco jardim Recanto Japonês, que é a réplica de um jardim da cidade de Kioto, construído na década de 70; e outros pontos e recantos muito bonitos e aprazíveis. Mas o que mais me impressionou foi a aparência das edificações, a limpeza e sinalização urbanas, a organização paisagística e planimétrica da cidade e a educação apresentada pelo povo que reside e trabalha naquela cidade. Não há como não gostar de cidade mineira tão bela, aconchegante e bem estruturada.

Finda as férias, retornei ao lar, meu doce lar, e não poderia deixar de ser, ao meu computador. Ideias surgiram devido ao que vi e ouvi em Poços de Caldas. As amizades permaneceram e mantiveram contato, através de e-mail e por visitas ao meu blog. Devido a pedidos dos amigos poços-caldenses e pelo carinho que passei a ter pela cidade, passarei a escrever periodicamente algum artigo relacionado a esse pedaço de terra mineiro, tão belo e agradável. E meu carinho e admiração pela cidade se tornaram tão grandes que começarei com a postagem de um conto, no qual faço a estréia de um personagem que há muito deseja se tornar público. Ele é obstinado em seus anseios e me procura todas as noites, enquanto estou a digitar um conto ou crônica, ou simplesmente a ler mais um romance, pedindo que eu o liberte da clausura de minha mente, que eu compartilhe suas façanhas e suas aventuras com o público em geral. E como eu o conheço muito bem, muito virá por aí.

Jules D’Arco é um homem inteligente, observador, criativo e de raciocínio rápido. Vocacionado para atividade policial, ele é perseverante em seus propósitos, sendo um incansável investigador. Age muitas vezes baseado em sua intuição e instinto, obtendo bons resultados em suas investigações. Hábil lutador, não guarda raiva, ressentimentos ou qualquer sentimento de revolta para com os outros. Por possuir capacidade de observação aguçada, vê o que os outros deixam escapar e...bom, vocês vão conhecê-lo. Ele é um dos meus presentes para Poços de Caldas e para toda a população que aí vive. Parabéns. E bom entretenimento e informação, lema deste veículo de lazer e cultura.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

OS QUATRO ARQUITETOS

Somos obra-prima de ser maravilhoso, superior, inigualável, cujo poder criador desconhece fronteiras. A nós foi dado relativo poder através da inteligência e não da força, sendo esta de natureza e grandeza insignificantes perante aquela. A inteligência é para o homem a ferramenta incomensurável que lhe permite controlar seu destino. Com ela, é capaz de quase tudo fazer, até mesmo promover sua autodestruição. Sem ela, retorna e perde-se nas trevas pré-históricas, aproximando-se dos seres irracionais, tornando-se semelhante em selvageria e estagnação, distinguindo-se deles apenas na aparência. E no momento que passamos a ter consciência do que realmente somos, de nossa unidade e importância neste mundo que nos foi dado com o ônus apenas de preservá-lo, entramos em sintonia com ele. E neste instante percebemos a ação grandiosa dos quatro elementos.

Água, com sua inexplicável fluidez e incomparável transparência, quando gota exerce inusitada atração em nosso olhar, em nosso íntimo. Afinal, segundo a ciência, ela compõe grande parte do que somos, daí a atração e irmandade que existe entre nós e este maravilhoso elemento. Limpa, purifica, higieniza, sacia a sede, alimenta até vazios estômagos. Quando torrente, quando em grande volume, é dotada de força incomparável, arrastando tudo que encontra em seu avançar devastador, arrasando, destruindo, vidas, edificações, veículos, cessando sua fúria incontida somente quando é diluída. Mas nem tudo é destruição para a água. Em seu correr, lapida margens, pedras, elevações, criando leitos, formas pétreas e gigantes montes que cobertos pelo tranquilizante verde, pela eterna neve, ou simplesmente nus, criam paisagens fantásticas e instigantes.

Terra, figura quantiosa de natureza complexa e vasta, que não só compõe o planeta que nos acolheu desde os primórdios, mas que em visão bíblica forneceu argamassa para modelar as formas que adquirimos. No tornear das águas revoltas e brutais, adquire curvas e formas que favorecem ou dificultam o viver do homem. Ora é colina, ora é vertente. Num instante é caverna, buraco, em outro é montanha, pico. Dela o homem retira tudo para criar, do alfinete que produz suas roupas ao foguete que lhe permite conhecer outros mundos. Usada em simples mistura química permite entrelaçar estruturas e erguer arranha-céus, bem como moradias pequenas e aconchegantes que abrigam seu corpo frágil. Das profundezas de seu ventre eviscera o alimento saboroso, o sustento que dá vida ao homem e aos animais.

Fogo, elemento de grande poder de transformação, cisalhamento, destruição. Com suas sinuosas lâminas douradas e flamejantes transforma os metais dando-lhes forma e cor segundo a vontade de quem os manipula. Quanto aos homens, o domínio de intenso elemento proporciona-lhes a tresloucada sensação de poder, de controle sobre todos os demais. Capaz de romper aquilo que anteriormente estava unido, faz medrar até o mais valente do seres. Em ação exterminadora, consegue dizimar tudo que se antepõe a sua propagação. Em sua presença as trevas fraquejam, reduzem-se e fogem, baldeando-se para recantos mais obscuros a fim de revigorar-se.

Ar, ar, ar que alimenta pulmões, que corre sob a pele, que faz viver, que gera energia nos corpos mais esquálidos. Seres dele necessitam, dele se ressentem em sua ausência. Sem ele e seus componentes, o fogo não sobrevive, é força natimorta. Sem ele não há vida, não há excitação para o movimento, não há oportunidade de vigência.

No fazer humano, não há como prescindir de elementos tão esplendorosos, que tornam a vida possível. Silentes arquitetos, que com suas peculiaridades e poderio, configuram o mundo que nos rodeia, que nos fascina, que nos emociona, que nos faz pequenos diante de tão nobre existência.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

BELO MONTE E A QUEIROZ GALVÃO

O coração tem razões que a própria razão desconhece. E o caixa financeiro de uma empreiteira também. Mas qual a diferença singular entre ambos? No coração, as razões são desconhecidas, obscuras, embora eloquentes. No caixa da empreiteira, há muitos corações nos quais fervilham interesses claros, evidentes. Lucros, prestígio, expansão do capital.

Quem é a Queiroz Galvão e qual a sua relação com a usina de Belo Monte?

A empreiteira Queiroz Galvão surgiu em 1953, fruto da iniciativa de quatro irmãos. O arcabouço financeiro inicial da empresa de núcleo familiar foi o capital gerado pela venda de uma picape Chevrolet, um Ford 1949 e um jipe 1948. Mas de boa vontade todas as empresas contam. A prova de fogo da pequena empresa logo foi a primeira obra, que se constituiu no sistema de abastecimento de água do município de Limoeiro, no interior pernambucano. E tudo foi coroado de sucesso. Depois investiram na construção de estradas e... novos méritos. Com a expansão da malha rodoviária nordestina veio o sucesso e ele levou-os a almejar voos mais altos. O grupo buscou oportunidades na região Sudeste, fato que resultou na transferência da sede da empresa para a cidade maravilhosa. A expansão das obras públicas na década de 70 fez a Queiroz Galvão crescer e aspirar novas áreas de atuação. Investiram, sem temor, nas perfurações petrolíferas, e não pararam por aí. Passaram a investir e atuar no mercado imobiliário, construção civil, engenharia ambiental, agropecuária e siderurgia. Isso retrata apenas a história da empreiteira que não difere muito de suas concorrentes.

Atualmente, embora a sede da empreiteira Queiroz Galvão seja no Recife, seu consultor João Queiroz Galvão permanece no Rio de Janeiro, de onde comanda o grupo. A Queiroz Galvão ou “QG”, lembrando “Quartel-General”, como alguns a chamam pela magnitude que atingiu, é a quarta maior empreiteira do país. O motivo? Com a receita de dois bilhões de reais que disparou em dígitos para os atuais RS 5,5 bilhões, tornou-se uma empreiteira de significativa grandeza. Com esta posição ombreou capacidade de trabalho e competência com suas concorrentes diretas que são a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. João Queiroz Galvão – um homem de cabelos grisalhos, fisionomia simpática e atitudes simples – preserva até hoje a discrição que caracteriza o grupo que criou juntamente com os irmãos. Evita os holofotes. Mantém uma relação distante e amistosa com a mídia. Pelo que demonstra, gosta do trabalho silente, dedicado, que apresenta resultados positivos.

Inúmeros brasileiros não conhecem pessoalmente a região Norte do Brasil. Quem a conhece define como uma imensa região, revestida por um dossel verdejante e exuberante, onde nada se avista até o longínquo horizonte, a não ser a contínua cobertura vegetal. A área de Belo Monte não poderia ser diferente. A região onde será construída a usina hidrelétrica fica no município de Vitória do Xingu, no Estado do Pará. Próxima a ela fica a cidade de Altamira, a mais desenvolvida e que conta com a maior população da região, em torno de 98 mil habitantes. Existem outros municípios menores cuja população gira em torno de vinte mil habitantes. O rio Xingu resvala suas águas por Belo Monte e por Altamira, bem como por alguns municípios e povoados, como a aldeia Paquiçamba.

A usina será a terceira maior do mundo e totalmente brasileira. A previsão é que produzirá 11 mil MW, gerando uma produção anual de 40 mil GWh, energia capaz de suprir 22 milhões de residências. Só para se ter uma ideia, Itaipu (binacional) gera 14 mil MW. Muitos de nós desconhecemos os fatores que implicam na construção de uma hidrelétrica, particularmente na região amazônica. São vários e não os abordarei na totalidade. Existe o impacto ambiental, a relação custo-benefício inerente ao empreendimento, a relação econômico-financeira, os interesses políticos, os danos sócio-econômicos, psicológicos e os prejuízos à biodiversidade. Além da construção da barragem, diques, eclusas, casas de força e canais, há a preparação e construção de uma vasta área a ser alagada, com a finalidade de gerar um reservatório (lago artificial) necessário à produção energética. A invasão das águas na área a ser alagada não somente cobrem a mata, mas elimina toda forma de vida ali existente. E aí ocorrem os prejuízos à biodiversidade. E o que é biodiversidade? O termo compreende a riqueza e a variedade do mundo animal, ou melhor, abrange todas as formas de vida (plantas, animais e microrganismos) e as inter-relações no ambiente em vivem, no qual a existência de uma espécie afeta diretamente muitas outras. A usina de Belo Monte deverá ter um reservatório de 516 Km² que ocupará os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo e Senador José Porfírio. Esse reservatório irá eliminar da face da Terra uma quantidade imensa e inestimável de plantas e animais que jamais serão recuperados. Mas relevante estrago não se verificará somente no lado da barragem que abriga o reservatório. Do outro lado, onde ocorre a redução do volume das águas, acontece um impacto ambiental talvez muito maior e mais devastador. Por 100 quilômetros o rio Xingu passará a ter uma vazão mínima de águas, ou seja, uma redução significativa nas águas disponíveis. E nessa extensa região existem tribos indígenas, ribeirinhos e a floresta, com plantas, animais e microrganismos (a biodiversidade). Quando as águas diminuem, animais e plantas morrem, os peixes escasseiam e a navegabilidade do rio se reduz. Os indígenas passarão fome, porque na Amazônia o índio vive basicamente de caça e pesca. Faltará a caça, porque a floresta diminuirá. Faltará a pesca, porque o volume do rio diminuirá. Faltou alimento, o índio não tem a comodidade que nos é comum de ir ao supermercado, ele não vai à mercearia da esquina, porque na região amazônica não existem supermercados de fácil acesso ou mercearias na esquina, apenas nas localidades de vulto, que ficam distantes e ele depende da navegabilidade do rio para chegar até elas. Existe a mata, o céu, o rio, a solidão, o abandono. Os danos sócio-econômicos e psicológicos às tribos e ribeirinhos que lá vivem serão arrasadores. E as autoridades responsáveis pela construção da usina não sabem disso? A mídia divulgou que determinaram pesquisas, e não tomaram conhecimento do que pode acontecer? Desconhecem totalmente os prejuízos que o empreendimento poderá causar? O Ministério Público, antes do leilão, questionou o Ibama a respeito e seus técnicos não garantiram a viabilidade ambiental da usina de Belo Monte. E não foi apenas num parecer, mas em vários pareceres. E mesmo assim, num ano de eleições, as autoridades forçaram a realização do leilão. Vemos aí os interesses políticos agindo, de forma velada e sorrateira. Certamente alguém levará vantagem na realização desse empreendimento. Em relação a potência instalada, dados indicam que a produção energética média mal passará dos 4 mil MW, menos ainda quando o regime das águas do rio diminuem em alguns meses do ano, devido a redução significativa do índice pluviométrico, característica peculiar da região amazônica. Ora, pretende-se construir uma “ferrari” que frequentemente andará como um “carro popular”. É um contrassenso. E a coisa se agrava quando falamos no custo da obra. Está calculado que será de R$ 19 bilhões, não contando os enormes linhões que atravessarão a floresta (causando mais impacto ambiental) e que estarão muito longe dos centros consumidores. As empreiteiras calculam que ele não sairá por menos de R$ 30 bilhões. E aí temos um dilema: vale a pena alagar a selva amazônica, eliminando plantas, animais e... sacrificando os índios? Não existem fontes de energia alternativas em nosso país?

A energia hídrica é barata, mas nem tanto. O Brasil tem outras fontes de energia alternativas que são pouco valorizadas pelas autoridades, porque são fontes que não geram votos, atrapalham interesses políticos diversos e não permitem o desvio de recursos públicos. Temos como explorar a biomassa, que é de baixo custo, renovável, que permite reaproveitamento de resíduos. A energia eólica que é aquela gerada pelo vento, é uma energia limpa. Embora pouco utilizada, é uma fonte de energia que não gera poluição e não agride o meio ambiente. Através do movimento do vento, aerogeradores – que são grandes turbinas em forma de cata-vento colocadas em locais abertos e com boa quantidade de vento – produzem energia elétrica. Imagine o Brasil, com sua extensa orla marítima adornada por colônias de aerogeradores, de Nordeste a Sul? Seria um avanço na produção energética não poluente, um exemplo de preservação e conservação da Amazônia e da biodiversidade, além de ser uma atração turística mundial. Para se ter uma ideia da validade da energia eólica, na Alemanha, no ano passado foi produzida 25.800 MW de energia eólica; na Espanha, 19.150 MW; Em toda União Européia, 75 mil MW. Se abordarmos o assunto por outro viés e olharmos para o grande potencial fotovoltaico (energia solar) que podemos produzir no país, não há porque se optar pela destruição da biodiversidade, não há razão plausível para destruir, inundar, devastar a região de Belo Monte, causando um inestimável prejuízo ambiental à região, bem como dano sócio-econômico aos habitantes de localidade tão distante e prejuízo financeiro aos cofres públicos.

A regra básica do leilão da usina de Belo Monte era que o consórcio que oferecesse o maior deságio levaria o empreendimento. Como no turfe, havia o favorito, constituído pela construtora Andrade Gutierrez, pela Vale, por Furnas e pela Neoenergia (uma poderosa do setor energético controlada pelos fundos de pensão estatais). Ele ofereceu R$ 83 por megawatt/hora. Surpreendentemente, “por alguns corpos de vantagem” é que surge o “azarão”. Um grupo liderado pela discretíssima “QG”, ou melhor, empreiteira Queiroz Galvão. Ele vence o páreo e causa surpresa a todos. Mas voltemos ao período que antecede o certame do leilão.

Semanas antes do leilão havia apenas dois consórcios formados. Um com a Andrade Gutierrez e outro composto por Odebrecht e Camargo Corrêa. Apesar desta aparente articulação, o empreendimento na realidade seria repartido pelas empreiteiras acima e a “QG”. Às vésperas do leilão, Odebrecht e Camargo Corrêa abandonam o certame e deixam o governo refém de uma única proposta, comprometendo o leilão. O governo deseja que ocorra o leilão, custe o que custar, embora sua vontade levante suspeitas políticas num ano eleitoral. Mendes Júnior e Celendo, outras grandes construtoras se interessam pelo negócio e tentam um conluio com a Galvão Engenharia, uma dissidente da “QG”. Surge a possibilidade de concorrência no leilão e a “QG” sente-se ameaçada. O “azarão” entra no grupo organizado, às pressas, pelo governo. Talvez seja aí que começa o pivô da discórdia, pois a “QG” queria a garantia de realizar 80% das obras civis do empreendimento, proposta considerada abusiva pela Eletrobrás. Sua proposta é recusada e com a baixa tarifa (R$ 78 por megawatt/hora), João Queiroz Galvão decide abandonar o negócio. Por quê? Porque a construtora que nos últimos quatro anos dobrou de tamanho no Brasil abandonaria um negócio tão lucrativo? Um negócio que não só lhe proporcionaria prestígio e reconhecimento internacionais, mas lhe abriria as portas para novos e grandes empreendimentos? A resposta foi o risco. Caso a “QG” permanecesse no grupo deveria assumir 10% do risco de sua execução. Houve pressão dos altos escalões do governo e do próprio presidente Lula, que desdenhou da importância da presença da “QG” na construção da usina de Belo Monte. Essa postura presidencial fez João Queiroz Galvão repensar sua posição, levando-o a voltar ao negócio. E o grupo vencedor foi o seu, que deverá arcar com a responsabilidade de executar um empreendimento envolto de aspectos obscuros, cujos custos de construção e manutenção são altos e incertos. A “QG” fará um bom negócio no empreendimento de Belo Monte? Será que os holofotes que agora incidem sobre sua discreta imagem, trazendo-lhe prestígio e reconhecimento, não a levarão a um desfiladeiro letal, de sombras e prejuízos sucessivos? Sua imagem não se desgastará pelas intrigas que poderão advir devido aos diversos percalços e divergências já demonstrados no leilão e posteriormente na execução do empreendimento?

Que a Queiroz Galvão e seus inúmeros integrantes tenham a serenidade e perseverança necessárias à condução de empreendimento tão grandioso e repleto de fatores coadjuvantes adversos, não se deixando abater por intrigas, conchavos e outras ações obscuras e desleais. E que a nossa biodiversidade em Belo Monte seja o mínimo afetada. É o que desejam todos os brasileiros.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A PEDOFILIA NA IGREJA CATÓLICA (II)

Em relação aos escândalos de pedofilia nos EUA, o Papa Bento XVI chegou a afirmar que seriam consequência da ruptura de valores da sociedade americana. Mas os escândalos não ocorreram somente nos EUA. Como o pontífice explicaria e justifica os demais escândalos acontecidos em vários países, inclusive no Brasil, como é o caso de Arapiraca, em Alagoas? Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura denúncias de pedofilia perpetradas por padres na cidade Arapiraca (AL) determinou a prisão de cinco pessoas após sessão pública de seus trabalhos. O padre Edílson Duarte, envolvido nas denúncias, delatou os monsenhores Luiz Marques Barbosa e Raimundo Gomes em troca de redução de sua pena. Os padres pedófilos foram denunciados por suas vítimas, ex-coroinhas que tiveram suas vidas destroçadas pelos indignos. O que deu amplitude aos escândalos foi o programa Conexão Repórter, conduzido por Roberto Cabrini, cujas filmagens auxiliaram a CPI na apuração e prisão dos envolvidos. A polícia civil encontrou na casa do monsenhor Barbosa, de 83 anos de idade, passagens de avião, bebidas alcoólicas e cremes íntimos. O tiro de misericórdia na impunidade destes padres pedófilos foi a denúncia dos mesmos por suas vítimas através de um vídeo entregue a equipe de reportagem do programa Conexão Repórter. Nele, um ex-coroinha aparece mantendo relações sexuais com o monsenhor Barbosa. Veladamente, o fato foi filmado por outro ex-coroinha, que foi vítima do padre aos doze anos de idade. O maior dos sentimentos que moveu a dupla: revolta. Após terem consciência do que sofreram e do estragado causado em suas vidas, foram atrás de justiça. Prepararam uma “emboscada” e numa tarde filmaram a relação consentida do pedófilo com uma de suas vítimas. O ex-coroinha afirma que os abusos começaram quando ele ainda era um menino. O Vaticano nunca soube de nada, nunca foi informado por sua rede interna de informações do que ocorria em dioceses e paróquias distantes? Nunca informou o Papa que abusos sexuais ocorriam no interior da igreja católica?

Segundo fontes midiáticas, o próprio Papa foi encarregado de ocultar os casos de pedofilia dentro da igreja, além de se manter silenciado a respeito durante sua primeira visita aos EUA. Como já relatei, possivelmente uma das razões que o levaram a agir desta maneira foram fatos vivenciados no passado, em companhia de seu pai. Entretanto, Ratzinger-pai agiu em prol de uma causa nobre, defendendo elementos do clero de um regime iníquo, sanguinário, fato que não ocorre atualmente. O Papa Bento XVI não teria confundindo erroneamente a opinião pública mundial com o regime nazista?

Voltemos à Europa. O silêncio da igreja católica em torno de novos casos de pedofilia na Alemanha, Áustria, Holanda e Suíça, põe o Vaticano na linha de mira. Coloca-o numa situação muito delicada, que leva a opinião pública a crer em sua cumplicidade e responsabilidade pelo encobrimento dos abusos sexuais cometidos. A credibilidade da igreja está mundialmente muito abalada pelas várias denúncias de abuso sexual e pelo fato de seus líderes terem conhecimento factual e por encobrirem tais crimes. Sem que haja necessidade de usarmos uma lente de aumento verificamos que a situação se agrava quando voltamos nossas vistas para a Alemanha, berço de Joseph Ratzinger.

Padres alemães estão sendo acusados de terem espancado e abusado sexualmente de garotos há décadas, em três instituições da Bavária, região no sul do país onde nasceu o Papa Bento XVI. Uma das instituições é um coro que já foi liderado pelo irmão do atual pontífice. O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos de idade, irmão do papa e que liderou o coro de 1964 a 19994 disse desconhecer os abusos revelados. Ele certamente observou e presenciou a ajuda e proteção dadas por seu pai a padres católicos hostis ao regime nazista. Não estaria ele agindo da mesma maneira, como seu irmão, protegendo seus pares, diante da “forca” pendente no cenário internacional? E a gravidade da situação não para por aí.

Thomas Pfister é um advogado que investiga acusações de espancamento e abusos sexuais cometidos décadas atrás contra centenas de meninos na escola do monastério beneditino de Ettal, na Alemanha. Segundo o advogado foi jogado um manto de silêncio sobre as acusações. O reverendo Johannes Bauer, atual tesoureiro do monastério de Ettal admitiu ter espancado alunos enquanto professor na escola, de 1985 a 1997. Causa espanto e indignação, a qualquer um, quando um padre assume sua culpa, seu erro na forma mais bizarra possível, quando jamais deveria assim agir, com violência e impiedade com menores de idade. Outra instituição, a ordem dos capuchinhos de Burghausen, também na Alemanha, reconheceu que um ex-diretor da escola abusou sexualmente de meninos entre 1984 a 1985. Os casos foram investigados em 1991, mas a única providência tomada foi a transferência do padre.

O Papa Bento XVI disse ter ficado “perturbado” com os abusos sexuais contra menores cometidos por padres na Alemanha. “Perturbado”?! Apenas “perturbado”?! Como pode o pontífice dizer que ficou apenas perturbado com um fato de natureza tão grave? Estes padres, se assim podemos chamá-los, destroçaram a mente e a vida de crianças que se tornaram adultos. O Papa deve deixar de agir com naturalidade em seus pronunciamentos e visitas, ignorando casos de pedofilia na igreja, considerando-os como se fossem um “pequeno” percalço no caminhar dos fiéis e da instituição. Ele esqueceu que, como chefe-supremo da igreja, deveria tomar providências e atitudes mais do que enérgicas para punir e esterilizar a instituição destes indivíduos pedófilos? É abominável, é sórdido, é repulsivo, não a opção sexual destes homens, ela interessa única e exclusivamente a eles, mas sim sua conduta delinqüente em relação a crianças, a menores de idade cuja guarda e segurança lhes foram confiadas por seus pais quando acreditavam que eles eram arautos da palavra do Senhor. A igreja católica deve ser transparente em sua justiça, tão bem ensinada pelo Senhor da História, que é Jesus Cristo. Deve apurar e punir os responsáveis por estes crimes, para separá-los daqueles que bem representam a instituição e seus princípios. Caso assim não proceda, estará conivente neste hediondo crime que atualmente assombra toda a sociedade: a pedofilia.

Como estava escrito na camiseta de um dos ex-coroinhas de Arapiraca-AL: “Todos contra a pedofilia.”. E é assim que toda a sociedade deve agir e pensar, não permitindo que influenciem e mudem a opção sexual de nossas crianças. Deixem que elas, quando adultas, escolham a orientação ou opção sexual que desejem seguir e não que lhes seja imposto quando ainda imaturas e inocentes, sem qualquer meio de defesa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A PEDOFILIA NA IGREJA CATÓLICA (I)

Quando pequeno eu frequentava a igreja católica por imposição de meus pais. Depois, por motivos diversos, afastei-me da presença dominical à missa, rotina que retomei anos mais tarde e que mantenho com regularidade. Na ingenuidade e imaturidade de minha juventude, eu via no padre – homem comum que recebeu as ordens sacerdotais e que ministrava os sacramentos da igreja – uma figura imaculada, honesta, de boa moral e bons costumes. A batina impecavelmente passada e engomada; os cabelos grisalhos e curtos, que depois passaram a ser escuros nos padres mais jovens; o rosto de fisionomia carrancuda que, por vezes, apresentavam óculos que lhe davam mais seriedade; personificavam a pessoa digna e respeitável que era o padre. Eu tinha respeito e admiração por sua imagem e personalidade e julgava que fosse alguém acima de todos os homens, mais próximo de Deus por seu conhecimento religioso, por sua conduta e moral ilibada. Mas, infelizmente, eu era jovem e imaturo e os tempos, os tempos passaram.

Esclareço que não sou fanático. Sou católico, cristão convertido, seguidor do Caminho de Jesus Cristo. E não tenho nada contra o homossexualismo e nem sou simpatizante da causa, tenho respeito e aceito a orientação ou opção sexual de cada um. A sexualidade é algo pessoal, cabe exclusivamente a cada um não importando aos outros, apenas ao interessado e a quem a ele se relaciona.

Por baixo da batina sempre existiu e existira o homem, figura imperfeita, sujeita às tentações e aos males mais diversos e traiçoeiros. Mas apesar de homem cônscio de sua escolha pelo celibato, pelo exercício sacerdotal, todo padre deveria, a fim de não macular os princípios e mandamentos divinos, logo que percebesse a perda da virtude, da convicção pelo exercício da profissão que optou, devido à descoberta de sua inclinação para outra profissão ou atividade, ou mesmo por sua opção sexual reprimida, abandonar a carreira eclesiástica e passar a viver segundo sua verdadeira vocação. Não é vergonhoso o homem assumir sua opção sexual, mas é criminoso usar uma função na qual a sociedade o observa como figura casta, de caráter intacto, para abusar de crianças e jovens indefesos. Usar a batina para se aproximar de menores de idade, demonstrando respeitabilidade e segurança (para eles e para seus pais), atraí-los pela palavra divina e depois seduzi-los, levando-os ao caminho da confusão mental, da ruína ideológica, da autocondenação pela opção sexual a que foram impingidos, é algo impiedoso, intolerável.

O apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, em relação ao celibato, diz: “Digo isso como concessão, e não como ordem. Eu gostaria que todos os homens fossem como eu. Mas cada um recebe de Deus o seu dom particular; um tem este dom, e outro tem aquele.”. Paulo quer dizer que aquele homem que não reconhecer em si a vocação pelo celibato não deve escolher por ele. Caso o faça, estará incorrendo em prejuízo pessoal e de outrem. E o que seria o celibato? Basicamente é termo empregado para designar uma pessoa que escolhe abster-se de relacionamentos sexuais, ou seja, aquela pessoa que não terá relações sexuais, em hipótese alguma, com outro ser. E é característica sine qua non do sacerdócio a adoção do celibato. Então, não se tem dificuldades em concluir que um padre, sacerdote ou monsenhor é um indivíduo que no momento que escolheu seu ofício, conscientemente, declinou da possibilidade de manter relações sexuais e que não poderia casar enquanto no exercício da profissão. Caso não fosse capaz de dominar seus desejos – e desejo todos nós temos – deveria optar por outra profissão que lhe permitisse casar ou ter relações sexuais sem qualquer culpa. Diante de tal premissa, um padre jamais, em momento algum, poderia abusar de crianças, menores de idade ou jovens inocentes. Abuso a menor é fato abominável, principalmente por um homem que se apresenta como modelo e mensageiro da palavra de Deus.

Ao longo dos anos, ouvi relatos de pessoas próximas a respeito de casos, não confirmados, de padres que tiveram relacionamento amoroso com fiéis. Eu não acreditava, achava que era um absurdo, mas como nada era confirmado e eu não tinha nenhuma notícia divulgada pela mídia, limitava-me a não dar crédito ao comentário. Porém, foram aos poucos surgindo casos e mais casos e destes casos, alguns eclodiram discretamente na imprensa, de tal forma que nos últimos quatro anos surgiram várias denúncias de abuso de menores perpetrados por padres da igreja católica. O absurdo tornou-se algo palpável. No contexto das denúncias ficava fácil identificar uma ação de ocultação dos fatos e de seus autores. Mas porque a igreja, instituição com um dos maiores índices de credibilidade pública, ocultaria esses abusos, esses crimes cometidos contra crianças, seres preferencialmente amados por Deus? Em Lucas 18, 16: “Jesus, porém, chamou os discípulos e disse: ‘Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas’.” Diante de tal princípio bíblico, no qual Jesus Cristo valoriza as crianças e sua pureza espiritual, por que ou por quais motivos a igreja procurou ocultar esses crimes? Talvez uma das razões esteja no passado.

Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, nasceu numa pequena vila da Baviera, na Alemanha. Seu pai também se chamava Joseph e era comissário de polícia do Reich. Ratzinger-pai era profundo religioso e adepto de uma corrente religiosa católica. Resoluto adversário do regime nacional-socialista, enfrentou sérios problemas devido às suas firmes ideias políticas, tanto que mudou da cidade em que residia por demonstrar forte contrariedade em relação aos nazistas. Em 30 de janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler e por um longo período o Reich limitou-se a espionar e ter sob controle os sacerdotes que se demonstravam hostis em relação ao regime. Ratzinger-pai não colaborou com o regime como também ajudou e protegeu os sacerdotes que se encontravam em perigo. Sem dificuldades percebemos que o Papa Bento XVI teve exemplos muito próximos de ajudar e proteger (ocultar, salvaguardar) sacerdotes da igreja católica quando ameaçados por qualquer elemento externo.

Tornou-se notícia em muitos jornais o fato da igreja católica ocultar casos de pedofilia, sobretudo nos Estados Unidos da América. O chefe da maior diocese da igreja católica nos EUA, o cardeal de Los Angeles, Roger Mahony, revelou recentemente que está sendo acusado de assédio sexual por uma mulher. Ele desmentiu as acusações que se referem a um incidente ocorrido há mais de trinta anos. O cardeal é o mais importante sacerdote católico americano a ser acusado de abuso sexual depois de uma série de escândalos correlatos nos últimos meses. Estaria essa mulher, uma das fiéis de sua paróquia levantando falso testemunho? Ela faria isso com objetivo apenas de desmoralizar o cardeal e obter uma gorda indenização?

John Geoghan, um ex-padre em Boston, foi condenado por molestar uma criança, segundo uma notícia presente na internet. Ele foi condenado, ou seja, foi a julgamento e constatou-se sua responsabilidade no crime de pedofilia. Será que tal fato não chegou ao conhecimento do Papa Bento XVI?

Ainda em Boston, EUA, mais de 400 pessoas anunciaram que vão processar padres da arquidiocese da região por supostos abusos sexuais cometidos. Devido a estas denúncias, descobriu-se que a igreja católica ignorou, ou melhor, ocultou acusações de abuso sexual contra padres em várias paróquias americanas. Pelo que se levantou, para abafar (ocultar) os casos ocorridos, a igreja articulava e executava transferências dos padres envolvidos em abusos sexuais para outras paróquias, de forma a velar os casos e “limpá-los” do pecado perpetrado. Será que o Papa Bento XVI também não sabia desses casos? Será que o Vaticano, estado eclesiástico, que controla todos os atos e fatos da igreja católica desconhecia os casos que envolveram esses padres? Será que o Vaticano deixou de informá-los ao Papa tempestivamente? Pelo que parece ou deixa transparecer, o Vaticano não deixou de tomar providências, mas também ocultou fatos graves em relação a estes “homens cobertos de batina”.

Segundo informações midiáticas, no ano passado, em torno de 300 padres americanos foram removidos de seus cargos devido a alegações de abuso sexual de crianças. Ainda nos EUA, em levantamento realizado no ano passado verificou-se que mais de 20% das crianças abusadas sexualmente pelos padres e sacerdotes não tinha sequer dez anos de idade quando foram molestadas. Que medidas drásticas e sanções efetivas a igreja católica adotou? Segundo fontes da mídia, os cofres da igreja nos EUA foram abertos e mais de US$ 430 milhões foram pagos em indenizações às vítimas de pedofilia. A fonte informa que esse dinheiro é usado para “compensar” as vítimas ou para abafar os escândalos. Compensar?! Compensar vítimas e seus pais que as entregaram aos cuidados de um padre ou sacerdote para administrar-lhes os ensinamentos cristãos? É possível “compensar” um ser pela ação criminosa e iníqua de um padre, pessoa considerada idônea, de aparente caráter imaculado? É aceitável permitir que continue em liberdade um homem que se aproveitou de sua condição eclesiástica para perpetrar crime de natureza indelével em crianças, jovens e até mulheres? É admissível uma instituição secular manchar sua credibilidade com a ocultação de tais crimes?

E diante de tantas interrogações, mais uma que não quer calar:

É tolerável a permanência e impunidade de pedófilos no clérigo?

sábado, 24 de abril de 2010

ÉS MARAVILHOSA...

Da boca que cintila, saem palavras que enchem meu coração de amor e alegria

Cheia de graça, no bambolear do vestido esvoaçante deixa sua marca, por onde sua sombra se esvai

És maravilhosa...

Leva-me pelos caminhos do dia-a-dia a percorrer serenamente, sem sobressaltos, sem surpresas

Nos gestos, nos olhares, no toque das mãos, toca-me o íntimo pelo ar que envia de tua boca, tão doce boca...

És maravilhosa...

Perdido em devaneios, passas correndo por mim, correndo por entre flores silvestres num jardim, nunca imaginado... flores que lhe cedem o brilho, no trilhar de teu existir, dando-lhe um sorriso iluminado

És maravilhosa...

Em teu encalço, caio em desatino, no sinuoso caminho deixado por tuas madeixas negras, encaracoladas nas pontas que parecem não terminar...

Busco extasiado pelas curvas de teu corpo que me seduz, por entre flores que afasto sôfrego... leva-me para longe, distante dos homens e de seus males... leva-me para o silêncio dos céus, para o vigor da vida, para um mundo puro, que sou rei e sou teu súdito

És maravilhosa...

Abandonamos o jardim, abandonamos as flores, que parecem deixar o perfume de suas pétalas em tua pele macia...

Tombamos sobre o espelho cristalino de um rio, de águas tenras e límpidas, nunca visto por ser vivente... as águas nos envolvem, nos acariciam...

Abraçados, beijamos nossas entranhas, no ardor de nossos desejos, na união dos corpos que fazem ferver a água e tudo que há nela...

És maravilhosa...

Saciados, voamos, voamos para o fim do mundo, para a morada que nos acolhe, protegendo o nosso amor

És maravilhosa... minha AnaCris

terça-feira, 20 de abril de 2010

CQC – CUSTE O QUE CUSTAR

UM CAFEZINHO E... EU PAGO A PROSA

Pouco tempo me resta para ficar diante da televisão, devido à produção de textos para o blog e os afazeres que envolvem o lançamento do meu livro Por Trás da Lei. Mas sempre que posso entrego-me ao ócio e refestelo o corpo cansado numa das poltronas da sala, passando a catar novidades na telinha.

Misturar jornalismo com humor ou humor com jornalismo, que para alguns a ordem dos fatores não altera o produto, não termina bem. No primeiro binômio, não vejo receptividade e nem espaço para um jornalista de credibilidade fazer humor com um assunto sério. Sua reputação e audiência são lançadas, em queda livre, no fundo de alguma lata de lixo enferrujada. Entretanto, na outra ponta desta balança, onde encontramos humor com jornalismo, até hoje ninguém conseguiu a façanha dos apresentadores ou comediantes do programa CQC, Custe o Que Custar, da Rede Bandeirantes. Eles apresentam fatos políticos ou artísticos com aquela “tintura” humorística que cativa a atenção de qualquer telespectador, até daquele que adora cochilar diante da tv. É claro que não é uma e nem duas vezes que derrapam na abordagem, conduzindo e encerrando a matéria de maneira um tanto confusa, vazia e sem a graça esperada pelo telespectador. Outro fator negativo no programa e que podemos perceber sem nenhuma dificuldade é a excessiva carga de merchandising durante sua exibição, depreciando um pouco sua qualidade satírica. Os dublês de repórteres que abordam pessoas públicas, como políticos, celebridades e outros não menos importantes, fazem perguntas pouco discretas e que levam os entrevistados a cometerem gafes e se confundirem em suas respostas, trazendo graça e alegria ao programa, tornando-o um entretenimento muito agradável. Os quadros que formam a carteira do programa são bem elaborados e acredito que o segredo da trupe é revelar o lado B das notícias, o lado que a mídia evita expor ou tenta ocultar e que o povo tanto deseja que seja revelado, de modo transparente e objetivo.

Custe o que Custar é um programa que não deve acabar, apesar dos protestos políticos e de celebridades que se sentem incomodados ou com sua pretensa intimidade ferida. Vida longa e sucesso ao programa e a todos os seus integrantes e que ele se renove sempre que possível.

terça-feira, 13 de abril de 2010

CREPÚSCULO, LUA NOVA, LOBISOMENS...

Férias com a família nos levam a programas que normalmente não fazemos. E foi isso que aconteceu comigo nos meses de dezembro do ano passado e janeiro do corrente. Vivenciamos vários momentos de alegria. Caminhamos, saímos para jantar, fizemos mais churrascos, viajamos, nos divertimos à vontade e, não poderia deixar de ser, fomos ao cinema. Cabe registrar que na semana anterior minha musa menor, na ternura de seus nove anos de idade, assistiu em DVD o filme Crepúsculo, o qual a levou ao delírio. Diante do telão, comendo pipoca e bebendo coca-cola, assistimos ao filme Lua Nova e aí, minha princesinha foi subjugada pela “febre do vampirismo”. Não tardou a pedir para comprar o DVD do Crepúsculo, o primeiro filme da nova saga vampiresca. Conversei, articulei, e consegui convencê-la a não comprar um DVD que não era próprio para sua idade e que não lhe traria bons ensinamentos. Ela perguntou porque. Então tive que explicar que esse negócio de crepúsculo, lua nova, vampiro, lobisomem e termos afins, invadiram a “nossa praia” e que isso não é de hoje. Ela ficou um tanto surpresa e passou a ouvir-me atentamente. Mas como expliquei a ela, para entender um pouco a origem e efeitos dessa “febre”, voltemos ao passado, onde tudo começou.

A figura amedrontadora do vampiro Drácula surgiu pela pena empunhada por um escritor cujo nome transpassou décadas, gerações. Bram Stocker nasceu em Dublin, na Irlanda, em novembro de 1847. Escritor precoce, Bram Stocker escreveu seu primeiro ensaio literário aos 16 anos de idade, mas sua obra-prima foi a criação do conde vampiro Drácula. O vampiro e sua história nasceram de um pesadelo do escritor, no qual um vampiro se levanta da tumba onde jaz. Mas a ideia terrificante adquiriu arcabouço na figura de Vlad Tepes ou Vlad Drácula, o sanguinário príncipe da Valáquia. Este governante, cruel e sádico, chegou a empalar (espetar com uma estaca o corpo de um condenado pelo anûs, até que ocorresse sua morte) mais de 20.000 turcos, de uma só vez. Vlad Drácula era maníaco por ver sangue correr e em destruir seus inimigos. Foi treinado numa escola de magia negra, nas montanhas da Transilvânia. Os Dráculas (vampiros) eram membros de uma nobre estirpe, mas inúmeros mantinham tráfico com o Maligno. Necromancia (suposta arte de adivinhar o futuro por meio de contato com os mortos) e práticas negras eram feitas pelo conde vampiro, em pessoa, às margens de um lago. A narrativa de Stocker, que atravessa e encanta gerações, retrata um cenário marcado pelo terror, onde se percebem escuras florestas nas quais lobos caçam ao luar, onde figuram castelos sombrios, em que ocorrem guerras sangrentas e seres são encarcerados em prisões úmidas e escuras. A saga de Drácula representa a história de um amor irresistível, que perpassa os séculos, que atravessa extensos períodos de tempo na busca incansável da mulher amada. Nesta busca, o vampiro deixa um rastro de sangue e medo no qual se confronta com valores humanos, com a ciência e a moral. Ele é a besta que se alimenta de sangue e não tem escrúpulos para consegui-lo.

Bom, é importante que saibamos, mesmo que sucintamente, a origem da história do vampiro para entendermos realmente porque ele fascina tanto homens, mulheres, e agora jovens e crianças e o que está por trás disso. A história do vampiro tornou-se um marco na literatura mundial, por seu ineditismo, caráter misterioso e poder sobrenatural dado ao personagem criado por Bram Stocker. O ser humano, em qualquer tempo ou época, sempre sentiu forte atração pelo desconhecido, pelo sobrenatural, pelas forças que regem o mal e suas nuances. Drácula, o príncipe das trevas, como é intitulado, é o genuíno representante do Maligno e de todas as suas formas e teores. O filme que retrata a saga foi regravado várias vezes, em décadas diferentes, apresentando versões diversas, que sempre mantinham a ideia precípua do vampiro forte, sanguinário e (quase) imortal na busca do amor de uma mulher. Embora os atrativos fossem grandes e sedutores para a consciência humana, em todas as versões, este fascínio foi-se desgastando ao longo dos anos, fazendo o filme e o tema caírem no desagrado e esquecimento popular. Mas o Maligno, figura oculta e aparentemente esquecida pela sociedade contemporânea – sociedade consumista e pervertida – foi reativada e renovada na saga Crepúsculo.

A saga Crepúsculo é uma nova série de filmes de terror, que conta com modernos efeitos especiais de Hollywood, na qual reconta a narrativa de Drácula, história de terror tão desgastada, de uma maneira revigorada e muito atrativa. Para fascinar e cativar todas as idades e gostos, a equipe de filmagem trabalhou no requinte e refino do layout do tema. No lugar do original vampiro adulto, de feições cadavéricas, roupas escuras, aparência tenebrosa e sedento por sangue, surgiu um vampiro politicamente correto, “vegetariano”, que se alimenta de sangue animal e não sangue humano, que é jovem, sedutor, com aparência e atitude joviais, que se veste e se comporta como os jovens se vestem e se portam atualmente, cuja consciência é marcada pela busca de um grande e irresistível amor que irá encontrar, não através de um rastro de sangue de gente inocente e desconhecida, mas na vivência pacífica de um colégio de uma cidade provinciana. O amor do vampiro (representante do Maligno) é demonstrado de forma singela, cheio de ternura e paixão, sem violência severa, para cativar desde jovens e crianças desavisados até adultos envolvidos pelo caos diário, que não percebem no entretenimento que buscam para aliviar o estresse, uma fonte de maldade, de malignidade, de descaminho. O vampiro jovem e seus familiares coadjuvantes demonstram ser pessoas de “boa índole”, que “não cultuam” o mal e nem agem em prol dele, que a jovem inocente que descobriu seu grande amor na figura do vampiro jovem, deve aderir a sua causa, ou seja, entregar-se à morte em favor de um imenso e intenso amor, que se tornará eterno, caso ela se sujeite ao sacrifício de tornar-se uma morta-viva, uma chupadora de sangue, seja ele humano ou animal. O filme Lua Nova não foge muito do padrão, da ideia-força da saga, apresentando algumas variações na história e maior aparato em efeitos especiais, a fim de cativar mais profundamente o público ingênuo, inocente e pouquíssimo informado.

Não sou crente, fanático e nem estou tentando converter ninguém.

Essa nova “estampa ou roupagem” do mal foi elaborada por uma jovem escritora norte-americana, de nome Stephenie Meyer, e executada por alguns dos soldados do Maligno que fazem Hollywood prosperar. O maligno precisa se renovar, recrutar e adquirir novos adeptos à sua causa. Sua concepção é fazer com que a maioria ou totalidade da raça humana acredite que o bom é mal, e que ele (maligno) que é mal, seja na “realidade”, bom, muito bom. E essa crença, veneração, só se configura na consciência humana se a roupagem do mal for bela, encantadora, atrativa, capciosa, envolta em fantasia, amor, paixão desenfreada, como é em toda a saga Crepúsculo. E na nova roupagem não figura apenas o vampiro e sua corja de assassinos chupadores de sangue, mas lobisomens (representantes do mal que deixaram a causa, tornando-se o lado “bom” da saga) que são seus opositores, que defendem a espécie humana. É o caos.

É com tristeza que vejo adultos, jovens e até crianças se empolgarem, se fascinarem com esta saga que serve de power-point do Maligno em sua expansão pelo mundo, levando-o a degradação, ao próprio extermínio. Como coibir algo que se espalhou, como uma epidemia? Resta-nos reacender, no interior de nossos corações, no interior de nossos lares, os valores ensinados por aquele que apresentou o Caminho. Jesus Cristo não foi visto como herói, quando devia assim ser reconhecido. Ele foi correto, fiel, leal, digno, acolheu e valorizou os pobres, incluiu menosprezados, realizou milagres, curou enfermos, endemoniados, caminhou sobre as águas do mar, multiplicou pães e peixes, dando-os aqueles que tinham fome. Foi o herói que morreu e nunca mais foi cultuado como realmente deveria ser. Nossos jovens e crianças, que serão a geração de amanhã, devem conhecer os valores do Senhor da História, que é Jesus Cristo, e de seus apóstolos. Devem optar, livremente, pelo caminho dele que é o verdadeiro e correto caminho a seguir. Pornografia, prostituição, depravação, delinquência, corrupção, violência e tantos outros males são atrativos que só levarão o homem e a sociedade ao colapso, à ruína. Se desejamos uma sociedade justa e igualitária devemos resgatar os valores que foram abandonados e que tornavam o homem digno perante o seu semelhante. Tente, por mais que pareça impossível, fazer com que aqueles que pertencem a sua família descubram e pratiquem o real significado da serenidade, da harmonia, da mansidão, do perdão, da dignidade, do sexo seguro, do amor verdadeiro e isento de inveja, ciúme e traição. Parece difícil, mas a mudança deve começar por você. A reação daqueles que convivem contigo, de imediato, será intensa e oposta, mas não desanime. Sua atitude e perseverança reverterão a situação, aos poucos. Você verá que tudo mudará ao seu redor, para melhor. Acredite.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

CASO ISABELLA (IV)

O julgamento do caso Isabella Nardoni chegava ao fim. Promotoria e defesa apresentaram suas teses. Seguiram-se réplica e tréplica, marcadas por elogios e descaracterizadas ofensas. Os jurados se retiraram e se reuniram com o juiz Fossem, para decidir o destino das vidas de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Do lado de fora, uma multidão de pessoas aguardava o veredicto.

Culpados ou inocentes?

Se culpados, Francisco Cembranelli será lembrado por muitos anos como o mais insigne promotor de todos os tempos, representante da justiça que livrou das ruas mais dois delinqüentes. Se inocentes, o mérito caberá a Roberto Podval, que lutou com poucos argumentos e provas e conseguiu convencer o conselho de sentença de que seus clientes eram inocentes.

A sentença foi proferida pelo juiz Maurício Fossem por volta da meia-noite de sexta-feira. Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e 10 dias, e Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e 8 meses. Coincidentemente, a idade que ambos possuem atualmente.

Para alguns, a pena foi pequena diante da iniqüidade que o casal cometeu. Para a maioria, a justiça cumpriu nada mais do que seu dever, com um mérito há muito não visto: demonstrou eficiência e celeridade.

Ana Carolina de Oliveira, como a maioria esmagadora do povo brasileiro, sentiu-se aliviada após a declaração da sentença. A pequena Isabella pode descansar em paz, pois seus assassinos permanecem encarcerados.

Mas essa história não termina aí. Sabe-se lá até quando a dupla ficará atrás das grades. Embora Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tenham retornado para as penitenciárias de Tremembé, é bem possível que daqui a alguns anos vejamos outra mácula que, infelizmente, existe nas linhas que regem a justiça. Refiro-me a pauta da progressão da pena, aquela mesma que libertou Guilherme de Pádua, assassino confesso de Daniela Perez, filha da novelista Glória Perez. Ele está em liberdade e se tornou pastor evangélico.

Será que sentiremos a mesma sensação de impunidade com relação ao casal Nardoni, se isso vier a acontecer? Esperemos que não, esperemos que não.

terça-feira, 6 de abril de 2010

CASO ISABELLA (III)

O julgamento do caso Isabella Nardoni atraiu a atenção de grande parcela do povo brasileiro, não somente por sua iniqüidade e brutalidade, mas principalmente por sua complexidade e pela divulgação do trabalho realizado pela polícia, perícia criminal e pela disputa entre promotoria e defesa. O povo brasileiro há poucos anos passou a conhecer o trabalho executado pela perícia criminal e sua relevância numa cena de crime. Seu interesse pelo assunto foi despertado e aprofundado pela série americana intitulada de CSI, que retrata o trabalho da perícia criminal no contexto de um crime, particularmente da morte de um ser humano. No decorrer do julgamento de Isabella Nardoni foram ouvidas as testemunhas da promotoria e da defesa, entre elas profissionais da perícia e testemunhas pertinentes ao caso. A perícia técnica, através de seus agentes, apresentou todas as evidências materiais encontradas na cena do crime, bem como esmiuçou a importância de cada uma delas. As testemunhas, tanto da promotoria como da defesa, apresentaram fatos que condensaram mais dados ao conceito de julgamento que os jurados deverão formar em suas consciências, para definir suas decisões em relação ao caso.

No decorrer do julgamento, promotoria e defesa foram apresentando suas armas e, aos poucos, os ânimos foram se acirrando. Francisco Cembranelli com muito tato, precisão e dignidade, soube abordar o caso de forma meticulosa, transparente, baseando sua tese de culpabilidade nas provas colhidas e analisadas pela perícia técnica. Além desta linha de análise e conclusão, o notável promotor também explorou a personalidade dos réus, apresentando suas características pessoais, como ausência paterna e ciúme exacerbado da madrasta. O advogado criminalista Roberto Podval, defensor dos Nardoni, em sua parte tentou desqualificar os trabalhos do delegado responsável pelo inquérito e da perita-chefe que executou e coordenou os trabalhos periciais relativos ao caso. Teceu considerações que procuraram enfraquecer o trabalho pericial e policial executados, demovendo os jurados da ideia de culpabilidade de seus clientes, entretanto, colheu fracassos, pois seu intento foi desvanecendo progressivamente. Cembranelli e Podval trocaram “farpas” durante o julgamento que foram comedidas pela autoridade do juiz Maurício Fossem.

Ana Carolina de Oliveira depois de permanecer incomunicável por três dias foi liberada, em vista de um laudo elaborado pela equipe médica do Fórum de Santana. A mãe de Isabella apresentou um grave retrocesso em seu tratamento psicoterápico, mergulhando em depressão profunda, por estar desgastada psicologicamente em decorrência de seu depoimento. Por estar isolada e muito abalada, seu estado emocional a levou a roer as unhas e a morder os próprios lábios, que sangraram. Diante disto, um laudo foi elaborado e apresentado ao juiz Fossem, que depois de consultar a defesa, liberou-a.

Ocorreram os debates entre a promotoria e a defesa. Novos embates e se sucederam vitórias e derrotas. Veio a fase de réplica e tréplica, o mesmo ocorreu. O julgamento começava a findar. O conselho de sentença se reuniu com o juiz Fossem para responder os quesitos necessários à sentença. E o veredicto estava para ser dado. Mas antes dele, cabem algumas considerações.

Se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá forem condenados, retornarão para a cadeia e lá cumprirão a pena determinada pelo juiz. A justiça terá sido feita e todos retornaram às suas vidas. Se forem absolvidos, serão postos em liberdade imediatamente e irão para casa. Se isso ocorrer, certamente haverá uma comoção e revolta pública, em função dos ânimos acirrados. Mas independente do que venha a ocorrer, nada, mas nada irá recuperar, resgatar a vida daquele bela e feliz criança que tanto estampou camisetas e imagens televisivas. Isabella é mais uma vítima da banalização da violência, da falta de controle e autoridade de pais em relação a seus filhos, que posteriormente tornam-se pessoas desequilibradas, cheias de caprichos e irresponsabilidades.

sábado, 3 de abril de 2010

CASO ISABELLA (II)

O julgamento da morte de Isabella Nardoni começou na segunda-feira, dia 22 de março, com o sorteio dos jurados, ato tecnicamente conhecido como conselho de sentença. Não ocorreram percalços nesta etapa. Logo depois se iniciou a inquirição de Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella. Foi uma inquirição longa e dolorosa, no sentido que diante dela estavam o pai de sua filha e a madrasta, supostos autores da morte de Isabella. Ana Carolina de Oliveira, desde a noite da morte de Isabella, diante das câmeras sempre se demonstrou muito amargurada, pois como tudo demonstra e nos permite deduzir, sua vida foi praticamente destruída pelo infortúnio ocorrido com a filha e, ainda, pelo fato de tornar-se uma pessoa de notoriedade. Sua vida nunca mais será a mesma. Ela não somente perdeu sua filha, mas sua privacidade. Sua existência será sempre lembrada pelos brasileiros, como a mãe da menininha que foi jogada pelo próprio pai pela janela de um apartamento na Zona Norte de São Paulo. Durante seu depoimento, Ana Carolina mostrou-se condoída, manifestou seu profundo amor de mãe, seu veemente pesar pela perda irreparável de sua filha. Segundo a mídia, ela chorou, copiosamente, numa manifestação genuína de que perdera mais do que parte de si mesma, muito mais do que isso. Do outro lado da sala, Alexandre Nardoni não parecia ser o pai de uma criança que morreu de forma trágica e iníqua. Impassível, aparentava serenidade, clara indiferença ao que relatava sua ex-namorada (eles não foram casados), como se nada daquilo se relacionasse com ele. Sentada ao lado, Anna Carolina Jatobá demonstrava-se tensa e aflita com o impacto que as respostas e afirmações de sua rival causavam no conselho de sentença. O depoimento de Ana Carolina de Oliveira impressionou o conselho de sentença a tal ponto que chegou a comover um dos jurados, e isso, certamente, desagradou o advogado de defesa Roberto Podval, pois colocou seus clientes em situação mais desvantajosa. E para a surpresa de todos nós que desconhecemos as sendas labirínticas da justiça, após o término do depoimento de Ana Carolina de Oliveira, o advogado Roberto Podval solicitou ao juiz Fossem que preside os trabalhos do júri, o cerceamento de sua liberdade, apesar do esgotamento físico e emocional da mãe de Isabella. Ele alegou necessidade de mantê-la à disposição da defesa, para uma possível acareação posterior com os réus. Embora legal, a atitude da defesa revoltou muitas pessoas, particularmente, a família de Ana Carolina de Oliveira. É algo lamentável, mas é uma das estratégias da defesa, e na guerra acirrada e “sangrenta” que me referi no artigo anterior, promotoria e defesa não dispensam armas que dispõem para a vitória. Esta estratégia infelizmente abalará ainda mais Ana Carolina de Oliveira, mãe desgastada e amargurada com a morte de sua bela filha.

O caso Isabella é marcado por dúvidas, como todo crime que envolve uma morte. De um lado os réus, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá alegam inocência, afirmando a existência de uma terceira pessoa na cena do crime. Como não há testemunha presencial, a promotoria, representada por Francisco Cembranelli, trabalha a linha de acusação em cima de provas materiais colhidas e analisadas pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. E aí surge um irrefutável questionamento. Mesmo que Cembranelli prove a culpabilidade dos réus e tudo indica que isso ocorrerá devido a gama de evidências, fica uma incerteza, apesar de todas as evidências positivas: existiria realmente uma terceira pessoa na cena do crime, como alegam os réus, o verdadeiro autor da morte de Isabella, um assassino experiente que, segundo os laudos da perícia, não deixou rastros? Acredito que somente uma pessoa poderia esclarecer como tudo realmente aconteceu. Infelizmente, ela está enterrada no Cemitério Parque dos Pinheiros, em Jaçanã, bairro da capital paulista.

No contexto desta batalha judicial, travada passo a passo, na busca da justiça, podemos destacar dois elementos-chave. Um é o promotor Francisco Cembranelli que vem granjeando a simpatia, admiração e o carinho de todo o povo brasileiro. Logo nos primeiros momentos do caso Isabella, quando surgiu diante das câmeras, Francisco Cembranelli não procurou o melhor ângulo ou o foco dos holofotes. Queria, desde aquela oportunidade, esclarecer os fatos e cumprir, no melhor grau, o papel da justiça: apurar os fatos e punir o(s) responsável (eis) pela morte de Isabella Nardoni. Observando a vida pregressa de Francisco Cembranelli podemos constatar que ele tem vários méritos em aproximadamente 20 anos de carreira. Tendo participado de mais de 900 júris, obteve sucesso em quase todos, sendo reconhecidamente um profissional de primeira linha, competente e com larga experiência no exercício de sua profissão. Figura distinta, discreta, inteligente, retórico e de caráter ilibado, o promotor Cembranelli manifesta pleno conhecimento dos fatos e evidências que envolvem o caso, apresentando cautela e concisão em seus pronunciamentos. Sem almejar ou agir no sentido de se autopromover no cenário midiático, tornou-se o brilhante justiceiro que toda a população brasileira desejava neste caso tão complexo e pavoroso. Dentro e fora do tribunal, Cembranelli tem se conduzido de forma talentosa, desvendando mistérios sobre o caso, atacando a defesa com nobreza e lealdade, indicando para o conselho de sentença e para o povo brasileiro que não existem fatos que neguem a autoria do crime pelos réus. O outro elemento seria o advogado criminalista Roberto Podval, defensor dos Nardoni. Roberto Podval também tem aproximadamente 20 anos de carreira, como seu rival. Montou seu primeiro escritório em 1987. Atuou em casos de grande repercussão, como o do assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, e o caso do Banestado. Podval foi chamado a liderar a defesa dos réus e tenta, de forma desesperada, conseguir sua absolvição. Convocou 17 testemunhas, mas depois dispensou a maioria delas. Conforme a mídia divulga, Podval tem contra-atacado bastante, mas colhe sucessivas derrotadas. Embora tenha a seu lado uma assistente técnica, Roselle Soglio, que não é perita criminal, mas uma estudiosa no assunto, cuja função é contraditar os laudos apresentados, ele tem se apresentado inquieto, insatisfeito. Mesmo que negue, Podval demonstra-se derrotado, com o avançar dos trabalhos no tribunal. E não poderia ser diferente. Lutar contra fatos calcados em evidências materiais, analisadas e comprovadamente genuínas, causa a qualquer um, profundo desconforto.

O julgamento avança. Os réus serão ouvidos, separadamente, e talvez tenhamos surpresas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CASO ISABELLA (I)

Sem despertar celeuma relativa à doutrina ou crença religiosa, todos, em princípio, concordamos que um senhor rege nosso destino. Destino este, muitas vezes, divergente de nossas vontades. E as linhas que compõem este destino se cruzam, fazendo com que as vidas que por elas transitam, por mais diferentes e complexas que sejam, se encontrem, se entrelacem, de modo surpreendente. Este fato aconteceu, no dia 29 de março de 2008, cruzando as vidas de várias pessoas, de forma trágica e comovente.

Na referida data, em São Paulo, Isabella Nardoni, com cinco anos de idade, sofreu maus tratos e foi arremessada pela janela do apartamento onde morava seu pai, no 6º andar do edifício London. Filha de Ana Carolina Cunha de Oliveira com Alexandre Nardoni, a pequena Isabella passava o dia em companhia do pai e da madrasta, Anna Carolina Jatobá. Que se tem conhecimento não havia testemunha presencial nos momentos que decorreram o crime, exceto pela presença do pai e da madrasta. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jabotá apresentaram para a polícia na oportunidade uma versão dos fatos que os inocentava, entretanto, evidências materiais emergiram das trevas daquela noite que os colocaram como principais suspeitos da morte abominável de uma criança. Tornaram-se “estrelas hediondas” da mídia. A população brasileira ficou indignada e perplexa diante da apresentação dos fatos e daqueles que, supostamente, perpetraram crime tão bárbaro. Como um pai poderia permitir que a madrasta esganasse sua filha biológica diante de seus olhos, precipitando sua morte? Como um pai poderia após tal insanidade, ainda, defenestrar a própria filha pela janela de um dos quartos do apartamento onde morava? O que levaria um casal em sã consciência executar crime tão cruel? Estas foram algumas das inúmeras perguntas feitas pela sociedade e pelos agentes da justiça em relação ao caso Isabella. Perguntas que não querem calar. Não queremos aqui condená-los precipitadamente, de modo algum, mas há um velho ditado que diz: “contra fatos não há argumentos”. São muitas evidências, saliento, evidências materiais que foram encontradas pela perícia técnica na cena do crime. Evidências que indicam que Alexandre Nardoni e Anna Carolina foram os autores da morte de Isabella. Depois de indas e vindas, no certame judicial, no qual promotoria tentava manter presos e defesa queria o habeas corpus do casal, Alexandre e Anna Carolina Jatobá foram mantidos presos e assim permaneceram por dois anos. Não amarguraram na cadeia, segundo a própria imprensa. Gozaram de salvo conduto no meio dos presos e ainda tiveram mordomias atrás das grades, proporcionadas pelos muitos reais da família. O tempo passou, outros fatos relevantes assumiram o lugar nas manchetes e a sociedade quase esqueceu o caso, mas a mídia se encarregou de reavivá-lo nesta semana.

Na segunda-feira passada teve início no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. A sessão do julgamento estava marcada para iniciar às 13h, mas iniciou-se por volta das 14h17, devido ao atraso de testemunhas e preparativos preliminares. Pelo que a mídia apresentou como provas materiais levantadas pela perícia, bem como, fatos relatados por testemunhas que comprometem a situação do casal acusado, e que possivelmente serão arroladas no julgamento, podemos perceber que o julgamento será uma guerra acirrada e “sangrenta”. Imaginem o Fórum de Santana como uma arena romana. Num lado, podemos ver a promotoria, munida de lanças, espadas, escudos, machados e toda a parafernália que dota um gladiador de força e poder. Poder de matar (condenar). Do outro lado, a defesa, despojada de armas, munida apenas de areia nas mãos, e disposição para gritar e correr. Correr até cansar (contestar e conturbar o julgamento, a fim de confundir jurados e conseguir a absolvição dos réus). Aparentemente será uma guerra desigual, mas, como juristas, advogados criminalistas e outros especialistas já afirmaram em entrevistas televisivas, tudo pode acontecer no tribunal do júri. Desde uma condenação justa, correta e precisa, até uma absolvição improcedente, desmedida, que coloque a Justiça e o Judiciário numa situação mais delicada do que eles já estão.

O certame apenas começou.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O GLAMOUR DO CRIME

A beleza da vida está na paz, no amor, na alegria, na satisfação de realizar-se. Esta visão luminosa está ao longo dos anos desaparecendo. A violência tem se apresentado em nossas vidas em quase todos os momentos. E exemplos verídicos é que não faltam. O notório seqüestro do ônibus 174, no Rio de Janeiro; a morte da pequena Isabela Nardoni, aparentemente perpetrada pelos pais; o assassinato da jovem Eloá em Santo André, causada por seu insano namorado, o jovem Lindemberg; o assassinato do cartunista Glauco, criador do famoso personagem “Geraldão”, e de seu filho, por um amigo do próprio filho; e tantas outras atrocidades não menos relevantes que deixaremos de no momento apresentar. Deparamo-nos com a violência na televisão, através dos noticiários; nos acidentes envolvendo veículos nas ruas e estradas; nos seqüestros hediondos; nos assassinatos, tiroteios e crimes retratados pelos jornais. A violência se tornou um fato banal, como o próprio povo pronuncia “faz parte” do nosso cotidiano tão turbulento. E põe turbulento nisso.

A violência, se podemos assim caracterizar, é o fluido que corre nas “veias” dessa entidade conhecida como crime. Cruel e impiedoso em sua essência, o crime transmuta as pessoas, sejam elas crianças, jovens, adultos ou velhos. Nossas crianças estão se tornando jovens brutais e, conseqüentemente, adultos violentos pela falta de valores. O crime está soterrando progressivamente os valores que tornam digna nossa sociedade. Integridade, honestidade, educação, correção de atitudes, respeito, cordialidade e tantos outros valores estão, há muito tempo, desaparecendo da esfera social. Hoje em dia é visto como “correto”, como camarada, aquele que perpetra um pequeno e ingênuo ato de corrupção aqui ou outro ali. Paradoxalmente ser criminoso passou a valer a pena. É uma forma de chegar ao estrelato. E porque tantas pessoas se entregam a “arte” do crime? Por que tantos jovens e adultos matam, roubam, seqüestram, comercializam drogas? Em tese, quando perdemos alguma coisa, outra deverá substituí-la. A natureza humana nos leva a isso. A sociedade perde a cada dia seus valores e eles estão sendo substituídos pelos valores do crime. Ser bandido, traficante, assassino, corrupto ou corruptor proporciona status, importância, brilho a sua personalidade. É prazeroso para o jovem ser venerado pelos colegas que, como ele, atuam no crime. É demonstração de poder e grandeza para o adulto transgredir violentamente e a justiça se quer tocá-lo, dando-lhe ainda destaque nos jornais televisivos. E porque o ser humano é seduzido a atuar no crime? Em todos os níveis e classes o crime seduz visceralmente o homem: proporciona-lhe emoção, prazer e poder. Estes são os valores do crime, que explodem na forma de adrenalina na mente e no espírito do ser humano, a mesma adrenalina que os esportes radicais trazem àqueles que possuem dinheiro para praticá-los.

Infelizmente, a mídia televisiva tem contribuído notadamente para a queda dos valores que me referi no parágrafo anterior. Ela enfoca o criminoso como alguém poderoso, intrépido, que possui muitos bens desejáveis por todos e que a Justiça, caso o tenha alcançado, logo o deixará escapar das grades, seja pela ação deturpada dos direitos humanos, seja pela própria fraqueza estrutural que a rege. Tornou-se comum vermos um assassino cruel frequentar a mesma passarela que personalidades do show business desfilam. Essa falsa valorização estampa-o como “um exemplo a ser seguido”. O criminoso não é mais visto como figura emblemática do mal, ícone da perversidade. Não se exige com rigor que ele seja retirado das ruas, punido e, se possível, reabilitado ao convívio social. Sua presença e atuação são encaradas como fato trivial, pois é considerado como mais um componente da sociedade. O inusitado glamour que o envolve permite que ele assim permaneça em nosso meio, contaminando irrestritamente todas as mentes que se deixam aliciar por sua natureza perniciosa. Aqueles que valorizam a vida em sua expressão mais pura e significativa devem se articular no sentido de uma sociedade mais íntegra, mais digna. Devem resgatar os valores supracitados e já tão esquecidos e fazer com que tornem a vigorar nos bancos escolares, nas ruas, no trânsito, nos supermercados, nos shopping centers e principalmente em nossos lares. A sociedade é a família num contexto mais amplo. Se minimizarmos a violência em nossos lares, através do diálogo, do carinho, da compreensão e da disciplina, certamente o crime perderá adeptos a sua causa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO

O título do artigo reportaria a apenas uma boa produção cinematográfica hollywoodiana se não fosse uma experiência pessoal que vivenciei durante minhas férias. Entre um passeio e outro, pelas ruas largas e limpas de uma das mais belas cidades mineiras, não há como não nos deparamos com fatos que inevitavelmente mudam nossa forma de pensar, de ver a vida sob outra ótica, sob outro ângulo.

Numa manhã do período carnavalesco, na praça principal da cidade, existiam foliões desanimados em torno do coreto e vários transeuntes caminhando sob o sol que brilhava no firmamento. Alentado pelas mãos e palavras de minha musa AnaCris estávamos a caminhar pela praça, entrecortada por um riacho sinuoso, de torrentes onduladas e suaves, ladeado por árvores e plantas ornamentais. Num lado da praça podia-se contemplar um grande hotel, muito antigo e de arquitetura colonial, visitado por idosos em épocas remotas, à procura de repouso e cura para suas mazelas. No outro, um balneário de águas termais que se impunha por suas proporções e majestade, atualmente muito visitado por turistas, na busca de um banho revigorante e relaxador, devido às águas sulfurosas existentes no subsolo da região. Próximo do balneário destacava-se uma pequena ponte arqueada, de muretas metálicas azuis, que trazia ao ambiente uma sensação de nostalgia. Inegavelmente, o lugar era acolhedor e muito aprazível. No momento que andávamos nas proximidades da pequena ponte, nosso passeio foi interrompido por uma cena inusitada. Chamo de inusitada em nome daqueles que ainda acreditam no amor, sentimento tão carcomido e desacreditado pelas instituições e pessoas nos tempos atuais.

Um pomposo carrinho de bebê era empurrado, muito devagar, por uma babá impecavelmente uniformizada pela calçada de pedras contígua às margens do riacho. A serviçal apresentava fisionomia contraída e cansada, possivelmente por uma ou mais noites insones em decorrência de alguma indisposição digestiva da criança. Suas mãos seguravam firmemente o carrinho, como se o que ele abrigava fosse seu, criatura gerada por outro ser, mas que lhe foi outorgada a atenção e os cuidados superviventes. Ela parecia desinteressada pelo entorno, como se ele representasse mais um mero local visitado por seu corpo lasso. Em seu encalço, dois ou três passos atrás, caminhava uma jovem mulher, de tez pálida e aparência requintada. Suas vestes atestavam sua origem: pertencia a classe rica de alguma sociedade, talvez da própria cidade ou de alguma cidade paulista, do Estado vizinho. Ela caminhava vagarosamente, admirando a beleza da praça e de seus recantos. Embora um pouco distante da babá e do carrinho, sua atitude não deixava dúvidas de sua relação com a serviçal e a criança. A cena era inusitada, volto a dizer, pela expressão da mulher. Era fria, indiferente, como se a criança, expulsa de seu ventre após nove meses de convívio e intimidade, nada significasse para ela. Sua indiferença em relação ao bebê era veemente e incômoda. Parecia desdenhar do ser que trouxe ao mundo, apenas indicando que assim agira com o propósito de se dizer mãe, mulher fértil, nada mais. Não passava e não passaria despercebido a ninguém que o amor daquela mulher por seu filho era pequeno, material, sem amplitude ou grandeza, que desejou tê-lo, sem dúvida, mas que não queria arcar com o verdadeiro ônus de mãe, repassando tal encargo a uma serviçal. Certamente não quis assumir o referido encargo na pretensão de não envelhecer, de manter-se bela e jovem, viçosa e sensual.

O amor verdadeiro implica em ceder parte de si mesmo a outro; de relegar o lazer e descanso a um segundo momento; de desperdiçar noites, passando-as em claro ao lado do ente querido quando enfermo; de abrir mão de coisas que lhe são caras em prol daquele que se ama; de entregar-se à dor no lugar de quem está sofrendo. O amor verdadeiro é grandioso, mas também humilde; é simples, mas intenso; nunca pede, sempre cede; não se faz de arrogante, muitas vezes se humilha; cede espaço, quando se encontra até mesmo estrangulado, físico ou emocionalmente. O amor verdadeiro não guarda rancor quando ofendido; perdoa até mesmo aquele que lhe feriu profundamente. Sem invadir o contexto religioso ou ferir suscetibilidades, afirmo que Jesus Cristo demonstrou isso para a humanidade. Demagogia? Digo que não. Que mérito há num ser que revida uma ofensa e se mantém orgulhoso? Que valor podemos endossar naquele que comete uma crueldade e não procura se redimir? Valor verdadeiro é para aquele que perdoa quem lhe feriu, sem guardar rancor; que se redime diante de uma crueldade e abandona a maldade como atitude. Se agir desta forma, aí sim haverá mérito neste ser. Poderemos chamá-lo de digno, de valoroso. O amor verdadeiro vive num coração puro, onde não espaço para o ódio, rancor ou sentimentos similares. Reveja seus valores, reveja seu amor. Nunca é tarde para mudar.

domingo, 7 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Segundo a doutrina católica, Deus achou que depois de ter criado o homem, ele se encontrava sozinho e que precisa de um ser semelhante, que lhe fizesse companhia e tornasse sua vida mais feliz. De uma costela, originou a mulher. E ela, ao longo dos anos de sua existência, tornou-se o ser mais importante do planeta, até mesmo que o homem. E o Criador foi generoso e benevolente com este ser cuja beleza encanta aquele que cedeu parte de si para sua criação.

A mulher foi criada em formas semelhantes ao homem, entretanto, foi agraciada com beleza superior, para que não somente se encantasse consigo mesma, mas também o próprio homem. A beleza que possui foi-lhe concedida não somente para fasciná-lo, mas principalmente seduzi-lo, para levá-lo a multiplicar-se através dela. Acredito que foi criada não tão-somente para fazer companhia ao homem e multiplicar a humanidade, mas sim para exercer um dos papéis mais nobres do universo: ser mãe. Sua presença na vida do homem serve-lhe de fator de equilíbrio, criada para torná-lo sensível, misericordioso, afastá-lo da brutalidade e frieza que lhe é comum. A mulher é tão grandiosa que foi dotada da capacidade de gerar outro ser, macho ou fêmea, coisa que o próprio homem não possui; capaz de suportar nove meses de gestação, condição que implica em deformação de suas curvas e beleza global, dores e inúmeros desconfortos para gerar outro ser e fazer o homem feliz; possui sensibilidade apurada que lhe permite identificar qualquer mudança de comportamento do homem, bem como suas dores, sejam elas físicas ou emocionais, mesmo que ele lhe oculte; capaz de executar atividades como cozinhar, lavar, costurar, pintar, dançar, cuidar de recém-nascidos, de enfermos, etc. características de sua natureza, com primor e produtividade.

Embora chamada equivocamente pelo homem de “sexo frágil”, a mulher no decorrer de sua vivência foi galgando patamares cada vez mais altos no contexto sócio-econômico. Não há dificuldades em identificar a presença de uma mulher por trás do sucesso de um homem, quer seja sua companheira quer seja sua mãe, que o orientou e modelou no caminho da vitória. A mulher rebentou as correntes da submissão masculina e lutou pelos direitos humanos, por um mundo mais justo e igualitário. Ingressou no mercado de trabalho, na vida política – onde trouxe novas conquistas para o segmento feminino e demais setores da vida civil – e na carreira militar, demonstrando que é capaz de exercer funções e arcar com responsabilidades consideradas exclusivamente masculinas.

Por sua importância capital mais do que justo ser criado e comemorado o Dia Internacional da Mulher. O homem não é dotado de tantas qualidades e tem consciência disto e, por este motivo, reconheceu e promulgou o dia da mulher, com o propósito de homenageá-la e reconhecê-la como ser importante em sua vida. E se realmente avaliarmos, todos os dias são dias da mulher, da mulher que trabalha, cozinha, costura, lava, amamenta, nina, cuida, orienta, ensina, desenha, pinta, calcula, serve, administra, dirige, pilota, conserta...

Que neste dia da mulher, ela seja cumprimentada e reconhecida por seus valores e feitos. Que seja levada a jantar, que receba flores, que receba atenção, que receba carinho, que se sinta amada e valorizada. Em nome de todos os literatos, mulheres, de todos os povos e raças, de todas as belezas e qualidades, que este dia seja-lhe muito feliz e próspero.

FELIZ DIA DA MULHER!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

RETORNO A WEB

UM CAFEZINHO E... EU PAGO A PROSA


Prezados leitores, é com grata satisfação que retorno depois de férias prolongadas. Todo retorno é intrincado por expectativas e por uma carga de ansiedade, aflição esta motivada pela receptividade daqueles que nos aguardam, por aqueles que dispensam sua preciosa atenção com nossas obras e ideias. O ano de 2009 foi o ano de lançamento do blog e como não poderia deixar de ser, o início de um projeto sempre é difícil, mesmo que planejado e bem estruturado. Surgem imprevistos que tendem a nos desanimar, mas não devemos esmorecer. Apesar dos obstáculos encontrados, foi muito gratificante materializar – fica até estranho dizer assim no ciberespaço – o sonho de compartilhar minhas obras com o grande público da net.

Reportando-me às férias, elas me proporcionaram o ganho de novas visões, novas experiências, do contato com pessoas e personalidades interessantes, que certamente figurarão nas mal traçadas linhas que divido com meus ilustres leitores. Mas porque não antecipar uma delas?

Aconteceu após o Natal do ano passado. Você já saiu às ruas de sua cidade, no dia seguinte ao Natal? Se não saiu, perdeu fato interessante e hilário. Se saiu e percebeu, viu o que eu vi. Era uma multidão de pessoas caminhando pelas ruas, visivelmente apreensivas, com sacolas nas mãos, em busca da loja ou magazine em que foi comprado o presente que recebeu no Natal. Em seus rostos expressavam a ansiedade e o desapontamento. Afinal, receber um presente de Natal que não se desejava é algo no mínimo desagradável. Procuravam pela loja, cujo logotipo está estampado na sacola, na esperança de encontrar o tamanho adequado da peça de roupa que não lhe serviu ou trocar o objeto que não era de seu agrado. E era um tal de gente indo e vindo pelas ruas e calçadas, procurando loja aqui e ali. Normalmente, as lojas e departamentos não dificultam a troca, desde que se apresente o objeto ou roupa ainda com sua etiqueta original. O que me chamou a atenção e torna a empreitada pitoresca é a preocupação dos agraciados em conseguir o objeto de sua satisfação. Querem efetuar a troca e retornar a seus lares gozando de plena satisfação. Muitas vezes o fato transcorre desta maneira, entretanto, em algumas oportunidades, o pobre presenteado não consegue o objeto de sua preferência e nem o tamanho que lhe é adequado. Então volta para casa, aborrecido que só e entristecido, com o mesmo presente ou com outro que optou por trocar, pensando em usá-lo certamente no amigo oculto do próximo ano.

Bom, neste ano que se inicia você terá muitas coisas para ler, para se entreter e se informar no blog. Não deixe de visitá-lo, serão crônicas e contos interessantes, regados de diversão e boa informação. Desejo felicidades a todos e um profícuo 2010, para todos nós.



ROBERT THOMAZ