Seja bem vindo

"A literatura insinua e coloca questões muito mais do que as responde ou resolve."

-------------------Milton Hatoum, escritor brasileiro



Contador de visitas

quarta-feira, 17 de março de 2010

APENAS UMA FASE

Ansiedade. Ele vivia uma grande ansiedade. Esse grande mal-estar que assola a mente de qualquer ser humano. Levantou-se da cama e foi para a cozinha. Comer. Comendo era uma das formas que encontrava para saciar aquele desejo intenso que o perturbava. Haviam ficado uma vez sem fazer amor por vários dias e esse período fora o maior desde então. Em todas as outras oportunidades os períodos foram menores e isso não lhe consumia a tranquilidade. Entretanto, desta vez estava ficando fora de controle. Completariam vinte dias de abstinência e ele não suportava mais. Ela inicialmente alegou dores de cabeça; depois foram dores nas costas; depois uma diarréia intermitente, resultado da ingestão exagerada de salgadinhos; e, por último, o período menstrual que se alongara por quase dez dias.

Ele abriu a geladeira e retirou os ingredientes que necessitava. Alface, tomate, pepino, hambúrguer, maionese, mostarda, pão de forma e coca-cola. Queria estufar o estômago, talvez conseguisse diminuir a inquietude que o afligia. Sozinho, na friagem da apertada cozinha, passou a preparar três sanduíches, todos para ele. A mulher estava na cama, coberta por um edredom, somente de camiseta e calcinha, prostrada pelo mal-estar que alegava ser efeito do fim do período menstrual.

Enquanto suas mãos preparavam o lanche, a mente estava em alvoroço. A mulher de pouco mais de trinta anos de idade reclamava do corpo que tinha, possivelmente fosse este o motivo que arrefecia seu apetite sexual. Ele discordava. Ela reclamava do volume dos seios, alegando que estavam caídos, e que o bumbum estava cheio de celulite. Ele discordava. A mulher tinha um corpo muito desejável, pelas curvas que ele adorava acariciar e pela maciez que o excitava. Seu corpo exercia forte efeito sobre o desejo do marido, apesar dela não acreditar. Ele foi um homem ativo, esbelto, craque da pelada nos finais de semana, com uma apimentada pulsão sexual. Agora estava grisalho, um pouco mais gordo, mas sua pulsão parecia não arrefecer com o passar dos anos. Sempre que a observava sair do banho, a desfilar nua pelo quarto à procura de um creme ou uma calcinha, ele se intumescia. Quando casaram, faziam sexo cinco ou seis vezes por semana. Não foi a passagem, por duas vezes, pela maternidade que mudou o corpo da mulher e nem diminuiu a libido do marido. Ela perdeu os bebês. Mulher vaidosa conseguiu manter o corpo que tinha ainda antes de casar, após tantos anos, mas sentia-se insatisfeita com ele. Dizia gostar de sexo, algumas vezes, selvagem, embora o procurasse pouco para satisfazer seus desejos. E ele não entendia o porquê.

Eram as circunstâncias. A mulher era uma profissional exemplar no ambiente de trabalho: estilo superpreocupada com seus afazeres, ela trabalhava numa multinacional, na área de planejamentos e contratos. Exigia eficiência de seus subordinados e cobrava-se no mesmo patamar. Ela era admirada e... cobiçada pelos superiores. Quem seria o Adão que se deliciava com aquela Eva de saias justas e blusas que infundiam desejos? Numa oportunidade, comentara com ele que havia um pensamento no mercado de trabalho no sentido que as mulheres deviam apresentar melhores resultados que os homens, nas mesmas funções. Dizia-se injustiçada, como todas as mulheres com as quais comentava tal situação. Mas não era somente seu desempenho que era constantemente avaliado. A bela loira, de olhos verdes e simpático sorriso, tinha curvas desejadas pelo segmento masculino com o qual trabalhava. Surgiam insinuações pecaminosas, que ela fingia não entender, mantendo-se fiel ao homem que amava. Ele confiava nela, contudo, sentia ciúmes. Ocultava sua insatisfação com o exercício da profissão da mulher. Aceitava que ela trabalhasse fora de casa para atender necessidades que seu salário não tinha como suprir. E ela gostava de vestir-se elegantemente, de ser invejada pelas outras. Mas o trabalho da mulher trazia outra insatisfação. Em muitas oportunidades, quando chegava do trabalho, dizia-se exausta e com pouca disposição para o sexo, indo dormir logo após um breve bate-papo. Ele tentava conter-se, mas era inevitável esconder sua irritação.

Terminados os sanduíches, devorou-os num suspiro. Tentava recalcar a ansiedade que o afligia. Despejou a louça do lanche na pia da cozinha e voltou para cama. Ela dormia. O semblante contraído pela dor que sentia o comoveu. Ele entendia o estado que a mulher se encontrava, mas o desejo de possuí-la o inquietava. Vivia uma agonia há quatro longos dias. A mulher rolou na cama e parte do corpo ficou descoberta. Ela podia discordar, mas ele achava seu corpo atraente, sedutor. A calcinha se atrevia na divisão das nádegas e a imagem do bumbum excitou-o ainda mais. Ele queria invadir suas vergonhas, deleitar-se dentro dela, sentir a umidade que muito lhe aprazia. Ficou apreciando o corpo macio na penumbra do quarto mal iluminado. Tocou-lhe o cenho que parecia febril, mas que era apenas efeito da enxaqueca e das dores que ela reclamava. Abraçou-lhe o corpo aquecido. Passou a acariciar os cabelos desgrenhados e o rosto jovial. Ela balbuciava alguma coisa, de vez em quando, mas logo tornava a ficar quieta. Apesar de o desejo o afligir, ele tinha domínio de si. Lembrou-se dos infreqüentes, mas muito ardentes momentos na cama que ela lhe proporcionou tantas vezes. Eram casados há quase três décadas e ele sabia que ela o amava, profundamente. Pensou que aqueles momentos de recato sexual não se constituíam num ato deliberado ou desejo proposital. A lembrança de uma conversa com seu falecido pai levou-o a recordar que o casamento tem seus altos e baixos. Beijou-a nos lábios ressequidos e foi dormir.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO

O título do artigo reportaria a apenas uma boa produção cinematográfica hollywoodiana se não fosse uma experiência pessoal que vivenciei durante minhas férias. Entre um passeio e outro, pelas ruas largas e limpas de uma das mais belas cidades mineiras, não há como não nos deparamos com fatos que inevitavelmente mudam nossa forma de pensar, de ver a vida sob outra ótica, sob outro ângulo.

Numa manhã do período carnavalesco, na praça principal da cidade, existiam foliões desanimados em torno do coreto e vários transeuntes caminhando sob o sol que brilhava no firmamento. Alentado pelas mãos e palavras de minha musa AnaCris estávamos a caminhar pela praça, entrecortada por um riacho sinuoso, de torrentes onduladas e suaves, ladeado por árvores e plantas ornamentais. Num lado da praça podia-se contemplar um grande hotel, muito antigo e de arquitetura colonial, visitado por idosos em épocas remotas, à procura de repouso e cura para suas mazelas. No outro, um balneário de águas termais que se impunha por suas proporções e majestade, atualmente muito visitado por turistas, na busca de um banho revigorante e relaxador, devido às águas sulfurosas existentes no subsolo da região. Próximo do balneário destacava-se uma pequena ponte arqueada, de muretas metálicas azuis, que trazia ao ambiente uma sensação de nostalgia. Inegavelmente, o lugar era acolhedor e muito aprazível. No momento que andávamos nas proximidades da pequena ponte, nosso passeio foi interrompido por uma cena inusitada. Chamo de inusitada em nome daqueles que ainda acreditam no amor, sentimento tão carcomido e desacreditado pelas instituições e pessoas nos tempos atuais.

Um pomposo carrinho de bebê era empurrado, muito devagar, por uma babá impecavelmente uniformizada pela calçada de pedras contígua às margens do riacho. A serviçal apresentava fisionomia contraída e cansada, possivelmente por uma ou mais noites insones em decorrência de alguma indisposição digestiva da criança. Suas mãos seguravam firmemente o carrinho, como se o que ele abrigava fosse seu, criatura gerada por outro ser, mas que lhe foi outorgada a atenção e os cuidados superviventes. Ela parecia desinteressada pelo entorno, como se ele representasse mais um mero local visitado por seu corpo lasso. Em seu encalço, dois ou três passos atrás, caminhava uma jovem mulher, de tez pálida e aparência requintada. Suas vestes atestavam sua origem: pertencia a classe rica de alguma sociedade, talvez da própria cidade ou de alguma cidade paulista, do Estado vizinho. Ela caminhava vagarosamente, admirando a beleza da praça e de seus recantos. Embora um pouco distante da babá e do carrinho, sua atitude não deixava dúvidas de sua relação com a serviçal e a criança. A cena era inusitada, volto a dizer, pela expressão da mulher. Era fria, indiferente, como se a criança, expulsa de seu ventre após nove meses de convívio e intimidade, nada significasse para ela. Sua indiferença em relação ao bebê era veemente e incômoda. Parecia desdenhar do ser que trouxe ao mundo, apenas indicando que assim agira com o propósito de se dizer mãe, mulher fértil, nada mais. Não passava e não passaria despercebido a ninguém que o amor daquela mulher por seu filho era pequeno, material, sem amplitude ou grandeza, que desejou tê-lo, sem dúvida, mas que não queria arcar com o verdadeiro ônus de mãe, repassando tal encargo a uma serviçal. Certamente não quis assumir o referido encargo na pretensão de não envelhecer, de manter-se bela e jovem, viçosa e sensual.

O amor verdadeiro implica em ceder parte de si mesmo a outro; de relegar o lazer e descanso a um segundo momento; de desperdiçar noites, passando-as em claro ao lado do ente querido quando enfermo; de abrir mão de coisas que lhe são caras em prol daquele que se ama; de entregar-se à dor no lugar de quem está sofrendo. O amor verdadeiro é grandioso, mas também humilde; é simples, mas intenso; nunca pede, sempre cede; não se faz de arrogante, muitas vezes se humilha; cede espaço, quando se encontra até mesmo estrangulado, físico ou emocionalmente. O amor verdadeiro não guarda rancor quando ofendido; perdoa até mesmo aquele que lhe feriu profundamente. Sem invadir o contexto religioso ou ferir suscetibilidades, afirmo que Jesus Cristo demonstrou isso para a humanidade. Demagogia? Digo que não. Que mérito há num ser que revida uma ofensa e se mantém orgulhoso? Que valor podemos endossar naquele que comete uma crueldade e não procura se redimir? Valor verdadeiro é para aquele que perdoa quem lhe feriu, sem guardar rancor; que se redime diante de uma crueldade e abandona a maldade como atitude. Se agir desta forma, aí sim haverá mérito neste ser. Poderemos chamá-lo de digno, de valoroso. O amor verdadeiro vive num coração puro, onde não espaço para o ódio, rancor ou sentimentos similares. Reveja seus valores, reveja seu amor. Nunca é tarde para mudar.

domingo, 7 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Segundo a doutrina católica, Deus achou que depois de ter criado o homem, ele se encontrava sozinho e que precisa de um ser semelhante, que lhe fizesse companhia e tornasse sua vida mais feliz. De uma costela, originou a mulher. E ela, ao longo dos anos de sua existência, tornou-se o ser mais importante do planeta, até mesmo que o homem. E o Criador foi generoso e benevolente com este ser cuja beleza encanta aquele que cedeu parte de si para sua criação.

A mulher foi criada em formas semelhantes ao homem, entretanto, foi agraciada com beleza superior, para que não somente se encantasse consigo mesma, mas também o próprio homem. A beleza que possui foi-lhe concedida não somente para fasciná-lo, mas principalmente seduzi-lo, para levá-lo a multiplicar-se através dela. Acredito que foi criada não tão-somente para fazer companhia ao homem e multiplicar a humanidade, mas sim para exercer um dos papéis mais nobres do universo: ser mãe. Sua presença na vida do homem serve-lhe de fator de equilíbrio, criada para torná-lo sensível, misericordioso, afastá-lo da brutalidade e frieza que lhe é comum. A mulher é tão grandiosa que foi dotada da capacidade de gerar outro ser, macho ou fêmea, coisa que o próprio homem não possui; capaz de suportar nove meses de gestação, condição que implica em deformação de suas curvas e beleza global, dores e inúmeros desconfortos para gerar outro ser e fazer o homem feliz; possui sensibilidade apurada que lhe permite identificar qualquer mudança de comportamento do homem, bem como suas dores, sejam elas físicas ou emocionais, mesmo que ele lhe oculte; capaz de executar atividades como cozinhar, lavar, costurar, pintar, dançar, cuidar de recém-nascidos, de enfermos, etc. características de sua natureza, com primor e produtividade.

Embora chamada equivocamente pelo homem de “sexo frágil”, a mulher no decorrer de sua vivência foi galgando patamares cada vez mais altos no contexto sócio-econômico. Não há dificuldades em identificar a presença de uma mulher por trás do sucesso de um homem, quer seja sua companheira quer seja sua mãe, que o orientou e modelou no caminho da vitória. A mulher rebentou as correntes da submissão masculina e lutou pelos direitos humanos, por um mundo mais justo e igualitário. Ingressou no mercado de trabalho, na vida política – onde trouxe novas conquistas para o segmento feminino e demais setores da vida civil – e na carreira militar, demonstrando que é capaz de exercer funções e arcar com responsabilidades consideradas exclusivamente masculinas.

Por sua importância capital mais do que justo ser criado e comemorado o Dia Internacional da Mulher. O homem não é dotado de tantas qualidades e tem consciência disto e, por este motivo, reconheceu e promulgou o dia da mulher, com o propósito de homenageá-la e reconhecê-la como ser importante em sua vida. E se realmente avaliarmos, todos os dias são dias da mulher, da mulher que trabalha, cozinha, costura, lava, amamenta, nina, cuida, orienta, ensina, desenha, pinta, calcula, serve, administra, dirige, pilota, conserta...

Que neste dia da mulher, ela seja cumprimentada e reconhecida por seus valores e feitos. Que seja levada a jantar, que receba flores, que receba atenção, que receba carinho, que se sinta amada e valorizada. Em nome de todos os literatos, mulheres, de todos os povos e raças, de todas as belezas e qualidades, que este dia seja-lhe muito feliz e próspero.

FELIZ DIA DA MULHER!

quinta-feira, 4 de março de 2010

UMA SERRA LONGE DEMAIS

Meu olhar taciturno, de viés, encontrou os raios esmaecidos que invadiam a janela do quarto. Antes de levantar, lembrei-me da noite anterior. Eu voltara cedo para casa, depois de presenciar, parcialmente, a entrega dos trabalhos de minha disciplina aos assistentes em sala de aula. Naquele momento, sorri, regozijando-me com a expressão apavorada dos alunos que entregavam uma pesquisa solicitada no plano de matérias. Uma pesquisa tão simples de elaborar – para mim – que para eles não passava de um Everest. Abandonei a quentura de minha cama de casal que, duas ou três vezes, recebera um visitante masculino que me acalorou os desejos. Ainda com o pijama de lã, vesti o robe que dobrado adormecera na cadeira ao lado da cama. Depois de pronto o café, adicionei creme e fui apreciar a deliciosa mistura na varanda de minha casa em Tiradentes. A escolha do imóvel não foi por sua beleza ou conforto, mas pela localização. Ele ficava na periferia e confrontava-se com a serra adjacente. Sentei-me na cadeira de balanço e, como tantas outras vezes, fiquei a contemplar a elevação alcantilada. O escuro e gigantesco muro de pedra ascendia aos céus azulados da cidade, soberbo, imponente. Sorri e passei a beber, em pequenos goles, o afrodisíaco de meus devaneios. Minha atenção fixou-se na magnitude da serra. Ela ficava distante, mas em meu íntimo estava muito próxima.

A paisagem me lembrava a casa nas montanhas, que Stuart me levava sempre que eu estava no Canadá. Embora algumas vezes fosse verão, sempre havia vestígios da neve que caíra em períodos anteriormente frios. Sentávamos na varanda amadeirada e, como os poucos jovens que eu via na universidade, ficávamos abraçados, apreciando a vista. Entre um gole e outro do chocolate quente, carinhosamente preparado por ele, meu amante desferia um beijo adocicado em meus lábios já vincados pelo tempo. Embora eu já tivesse cinquenta e oito anos de idade não me furtava aos ardores do amor. Correspondia calorosamente ao afeto e descrevia minhas aventuras escolares na universidade brasileira em que trabalhava. Falava do medo, da insegurança e da inquietude de meus alunos durante as aulas. Em alguns momentos, Stuart ria alegremente ante o sufocamento e opressão desenvolvidos pela professora Cátia Madeira. Eu me vangloriava de minha austeridade e da atitude amedrontada dos alunos em relação a mim. Eram tantos Carlos, Marisas, Cristinas, Rodolfos, Pedros e Marias que tremiam sob minha orientação espartana que eu já perdera a conta. Aquela tirania com meus alunos me proporcionava um prazer mórbido, inusitado, que preenchia a severa solidão que me angustiava todos os dias. O desconhecimento, a ignorância em relação ao saber dos alunos me enervava. Se eles seguissem minhas orientações, estudassem como eu estudei, declinassem das festinhas e orgias que promoviam nas repúblicas, certamente obteriam o saber que eu tanto valorizo. Mas pertencem a uma geração ensandecida pelo prazer, pelo egocentrismo, pela ignorância desmedida. Por isso devo pressioná-los a aprender, a aprofundar seus conhecimentos, para que possam se tornar excelentes profissionais, como eu me tornei. Acredito que, possivelmente, minha capacidade cognitiva decorra da solidão que o destino me impôs. Não tive muitas oportunidades no amor e só restou-me abrigar meus anseios e sonhos na busca do saber. O mestrado e o doutorado, em oposição à graduação, foram aventuras ardorosas e gratificantes, que permitiram enraizar meus conhecimentos. A marcha implacável do tempo levou minha mãe há poucos anos atrás. A situação que se formou arrebatou à solidão cruel, fazendo-me dividir o lar com dois gatos e um papagaio. Os felinos ouvem minhas neuroses e a ave interage com meus devaneios. Minha mãe era a única pessoa que eu amava e que me restara na vida. Stuart, ou melhor, Steve Stuart era um engenheiro elétrico no Canadá, que eu conheci durante uma de minhas viagens aquele maravilhoso país. Depois de alguns jantares e várias taças de vinho, ele me levou a sua alcova e me fez mulher depois de tantos anos de virgindade. Tive que voltar ao Brasil, por obrigação profissional, mas sempre que posso vou ao encontro de meu amor distante e secreto.

Um pássaro interceptou meu olhar, despertando-me de meus devaneios, fato que me desagradou. Bebi um longo gole da mistura que já se arrefecia e voltei a olhar para a serra. Ela estava longe, como meu amor. Sua magnitude lembra a grandeza de Stuart, de seus afagos, de suas palavras tão calorosas que me alegravam não somente o ânimo, mas o coração frio e solitário. Quando estávamos no aconchego da cabana, comendo, sorrindo, brincando, nos amando, a vida apresentava o seu valor. A serra ali adiante, muda, bela, escura, portentosa, fazia-me lembrar dos momentos que ainda valiam a pena em minha vida tão amarga e tão povoada de alunos atemorizados e incultos. Um bafejo frio perpassou meu corpo amolecido e estriado. O calafrio eclodiu estas lágrimas que correm de meus olhos cansados. É o sangrar de meu coração apenas visto pelos gatos que, deitados diante de meus pés, observam meu alheamento.

A campainha da porta da frente soou estridente, despertando-me violentamente dos devaneios. Quem seria o insolente que interrompia meu descanso e meu prazer?! Ah, que cabeça a minha, certamente era um de meus assistentes que, inseguro, trazia-me o calhamaço de trabalhos que eu começaria a corrigir, definindo o destino de tantas pessoas. Quem passaria ao meu crivo tão severo? Quem deveria repetir a matéria no semestre seguinte? Quem seria arremessado ao paraíso da aprovação? Quem seria arrebatado ao penoso inferno da repetência? Eu aumentaria a minha galeria de inimigos ou apenas me tornaria, mais uma vez, numa lembrança dolorosa da matéria mais temida pelos alunos da universidade? Esse poder de definir destinos me trazia prazer, satisfação. Tornava-me uma deusa, solitária e despótica, empunhando o cetro da aprovação.

A campainha soou novamente. Eu deveria ser severa ou misericordiosa na correção? Austera ou condescendente? Ah! Deixarei meu estado de espírito decidir. Vou receber meu visitante com um belo sorriso, que tenho só para os homens e raramente para uma mulher. Afinal, um homem é um homem, e eles me fazem bem aos olhos, mesmo que olhem endurecidamente para uma mulher como eu, com essa idade e ausência de beleza, momentos depois que acordou, vestindo um robe de seda por cima desse velho pijama de lã.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DIGNÍSSIMO ELEITO

Robaldo Luis de Meneses. O nome era bizarro, um misto em homenagem aos avôs Roberto Alves, pai de sua mãe, e Clodoaldo de Meneses, pai de seu pai. Embora o dia estivesse quente, ele ordenou que o almoço fosse feijoada, sua comida predileta. Em regozijo, continuava a comemorar – após a ausência de quatro anos no cenário político municipal – sua vitória quase unânime no último pleito eleitoral. Os concorrentes, ainda que tivessem maior integridade moral que ele, não gozavam de tamanha popularidade, conquistada na ação dissimulada de ajudar a classe pobre que o procurava nos momentos difíceis em sua modesta casa.

Depois de saborear tão suculenta refeição, eles tentavam dormir. O corpo suado e desabituado ao banho se enroscava na cama com duas jovens que tinham quase a metade de sua idade. Ele vestia uma camisa de colarinho, sem mangas, e bermuda. Elas cobriam as curvas com shorts minúsculos e mini-blusas que mal continham os seios em desabrocho. Ele rosnava, sonolento, buscando o aconchego de corpos tão viris. A cama, às vezes, rangia, suportando o peso da indecência que fervilhava naquela casa. Em verdade, eram três jovens que foram abandonadas pela família por se prostituírem, sendo a mais nova, recém-ingressa na maioridade. Todas viviam em concubinato com Robaldo. Indiferente ao divórcio e ao casal de filhos que gerou, ele enveredara por uma vida que oscilava entre a atividade política e a devassidão pessoal. Sua inclinação pela bebida e por mulheres muito mais jovens do que ele denotava evidente desequilíbrio e perversão, fato de que fora acusado pela oposição após o término do primeiro mandato na prefeitura. Mas nunca as ofensas e calúnias de natureza política lhe causaram algum abalo no estilo imoral e indigno de viver. Acreditava que ajudando os pobres, exercendo as obrigações triviais do cargo e mantendo-se, dentro do possível, longe de falcatruas e conchavos podia manter-se no exercício da política.

A terceira jovem abriu a porta do quarto em penumbras e disse:

- Robaldo, Robaldo, acorde! O “Seu” Felisberto está aí e quer falar contigo...

Ele resmungou alguma coisa e virou-se para o lado, expelindo gases intestinais enquanto apalpava o busto de uma das jovens. A atitude enojou a garota mais jovem. Quem o procurava era Felisberto Ferreira, um de seus assessores mais íntimos, parceiro fiel em falcatruas que ele já perpetrara em sua primeira passagem pela prefeitura. A garota se aproximou e sacudiu o amante, insistindo:

- Robaldo, Robaldo, acorde! Acorde! Ele quer falar contigo, disse que é urgente!

Um momento de silêncio e o dorminhoco respondeu, a voz em tom aparvalhado:

- O que ele quer?

- Não entendi muito bem, mas ele disse que é sobre a BioTrans.

BioTrans era uma das empresas de transporte coletivo credenciadas pela prefeitura.

O homem corpulento levantou-se num sobressalto.

- O quê?! O que você disse, menina?!

- “Seu” Felisberto disse que quer falar sobre a BioTrans.

Robaldo empurrou o corpo de uma das concubinas e sentou-se na beira da cama. Massageou os cabelos grisalhos da nuca e depois coçou a barba que sempre estava por fazer. Resmungou alguma coisa e calçou as sandálias de couro. Levantou com dificuldade e foi ao encontro de Felisberto, que o aguardava na varanda da casa. O corpo esquálido e coberto por um terno surrado, sem gravata, estava acomodado numa das cadeiras de vime. O assessor bebia um café requentado, servido momentos antes pela jovem que ficara encarregada de lavar a louça naquela tarde.

- Por que veio atrapalhar o meu sono? – perguntou Robaldo em desagrado.

O assessor se empertigou e, com um sorriso amarelado, repousou a xícara sobre a superfície de vidro da mesa.

- Estamos com problemas na prefeitura...

Robaldo expirou impaciente e disse:

- A prefeitura de São João do Vale sempre tem e sempre teve problemas, isso não é nenhuma novidade... e daí?

- Aquele nosso “colaborador” da BioTrans me procurou a pouco...

- E o que tem isso, homem?

- Ele disse que necessita de mais recursos... de mais recursos para seus negócios...

- O quê?! Aquele pilantra quer mais dinheiro?!

- Calma, senhor... ele disse que aquela contribuição não atendeu as necessidades, digamos, operacionais dos negócios.

O prefeito franziu o cenho e arrotou.

- Não me venha com esse palavreado de doutor, Felisberto, eu num entendo bem, fale em miúdos...

O assessor pigarreou e disse:

- Quero dizer que nosso colaborador quer mais dinheiro para ocultar nossas negociações e para... manter o silêncio... segundo ele, a diretoria da empresa está investigando possíveis desvios nas finanças...

- Que aquele pilantra mantenha a boca fechada! Para que a gente não tenha que fechar ela, entendeu?

O assessor abaixou a cabeça e, em seguida, levantou-a, fitando o patrão nos olhos.

- Não seria a melhor solução...

- Não me interessa qual seria a melhor solução, quero esse cara de boca fechada, entendeu?! Boca fechada!

- Tudo bem, tudo bem, mas o que eu faço?

Robaldo coçou os cabelos desgrenhados.

- Use a pasta preta, aquela que está no armário do quartinho lá na prefeitura... será que cinco mil acalma o sujeito?

- Para começar acredito que sim.

- Como para começar?! Esse patife está pensando que vou ser a aposentadoria dele enquanto eu estiver no mandato?! Acabo com a alegria dele!

- Calma, Robaldo, calma, eu acho que ele não vai ficar extorquindo dinheiro da gente... se continuar, mando aqueles rapazes “dar um medo” nele e logo ele fica calado, caladinho...

Naquele instante a campainha tocou. Robaldo olhou para frente e avistou três homens diante do portão de pedestres.

- Carina! – gritou Robaldo chamando a jovem que o acordara. – Carina! Vai ver quem está lá no portão!...

A garota passou correndo pela varanda. Seus quadris arrebitados atraíram o olhar sequioso do assessor.

- Quem deve ser?

- Que delícia – murmurou o assessor.

- O que você disse?

- Ahn? Nada, prefeito, nada... quando posso pegar o dinheiro?

- Agora mesmo... apanha a grana e entrega a ele no local de sempre, fora da cidade...

- Pode deixar.

A garota voltou correndo. Esbaforida, disse:

- É, é o delegado...

A natural tranquilidade do político evolou num piscar de olhos.

- Delegado?!

Robaldo contraiu as sobrancelhas.

- O que ele quer?

- Não sei... falou que quer falar contigo...

- M...! O que esse tira quer comigo?!

- Talvez nada demais – disse o assessor. – É bom recebê-lo.

- Mande ele entrar...

A garota dirigiu-se novamente para o portão. Pouco depois, retornou em companhia do delegado e dos policiais que o acompanhavam.

- Boa tarde prefeito.

- Boa tarde delegado – respondeu o prefeito em evidente desagrado. – O que você quer?

O delegado não respondeu. Retirou um envelope pardo do interior de uma pasta que carregava. Abriu o envelope e entregou um conjunto de fotografias ao prefeito.

- O que é isso?

- Olhe as fotografias, por favor – solicitou o delegado.

Robaldo passou a manuseá-las. Ele procurou ocultar, mas enquanto verificava cada uma delas o cenho porejava.

- O senhor reconhece essas imagens? – indagou o delegado.

O prefeito ficou calado. Verificou novamente as fotografias. Enquanto passava fotografia por fotografia, sua mente inculta retornou ao passado. A um passado obscuro, que ele mesmo desejava esquecer...

Durante um churrasco promovido semanas antes da eleição, numa fazenda afastada da cidade, Robaldo violentou uma jovem enquanto todos estavam bêbados. Ela fugiu pela mata e foi perseguida por ele, que a agarrou, terminando por estrangulá-la. O corpo macilento e ferido foi abandonado na mata. Um dos asseclas de Robaldo foi até o local e deslocou o cadáver para um ponto distante, na tentativa de eliminar evidências. Os restos mortais foram encontrados pela polícia dias depois da denúncia de seu desaparecimento.

- Por que está me mostrando estas fotos?

- Essa jovem desapareceu semanas atrás e o que restou de seu corpo foi encontrado recentemente nas proximidades de um riacho, fora da cidade...

- E o que eu tenho haver com isso?

- Na época em que ela desapareceu não tivemos indícios de seu paradeiro, nem mesmo a família sabia onde ela fora e como desapareceu... sabemos que o senhor realizou um churrasco numa fazenda, pouco antes de ser eleito, no qual convidou muitas pessoas, dentre elas, jovens meninas da cidade... essa garota era uma delas...

- Sim, convidei muitas pessoas, mas não lembro dessa garota... ela deve ter entrado escondida no churrasco...

- Acho que o prefeito devia forçar a memória... o senhor conheceu essa garota e muito bem...

- Como pode dizer isso? É mentira, eu não conheço essa garota... delegado, o que você está dizendo é calúnia.

- Calma Robaldo, calma – disse o assessor tentando acalmar o prefeito que era tomado por um rubor.

- O senhor violentou e matou essa garota durante o churrasco...

O prefeito se levantou e encarou, furioso, o delegado que se mantinha calmo.

- Como pode me acusar de um crime?! Ficou louco?! Daqui a pouco vai querer me prender! Esqueceu que eu tenho imunidade parlamentar?!

- Não, não esqueci – retrucou calmamente o delegado. – Posso afirmar baseado em evidências e eu tenho mais de uma.

O delegado retirou da pasta um envelope plástico que continha um cordão dourado. Naquele instante, Robaldo sentiu um calafrio percorrer-lhe as costas.

- Até o corpo da jovem ser encontrado não tínhamos nenhuma pista do paradeiro do assassino, mas este cordão foi encontrado em sua mão... segundo a perícia, ele foi arrancado pela vítima do pescoço do agressor enquanto ele a estrangulava... a garota manteve o medalhão preso em sua mão mesmo depois de morta...

O delegado abriu o pequeno medalhão retangular e o apresentou ao prefeito.

- O senhor reconhece essas fotografias? – indagou o delegado. – São seus filhos, correto?

Robaldo discretamente engoliu em seco.

- São seus filhos, prefeito, não são?

Robaldo fitou-o nos olhos.

- Certamente que são, pois eu procurei sua ex-esposa e ela afirmou que este cordão lhe foi dado de presente de aniversário há anos atrás... isto significa que ele é seu e que pelo fato de estar na mão da jovem encontrada não deixa dúvidas que foi o senhor que a matou.

- Isso é um absurdo, eu não matei essa garota, eu, eu perdi esse medalhão há muito tempo atrás...

- Creio que não, prefeito – disse o delegado retirando outro envelope da pasta. Ele retirou mais algumas fotografias do envelope e entregou-as ao prefeito.

- Essas fotografias foram tiradas durante o churrasco que o senhor promoveu na fazenda, antes da eleição, e na época que a garota desapareceu...

Robaldo passou a verificá-las. Suas mãos suavam e tremiam, apesar dele tentar mantê-las firmes.

- O senhor pode ver que numa delas está sem camisa, usando este cordão... e pelo que parece, no momento o senhor não usa o cordão... isto não nos deixa dúvidas que o senhor é o autor do crime.

- Tome suas fotos e vá embora, eu tenho imunidade parlamentar e...

- Um momento, prefeito, como o senhor cometeu o crime antes de sua diplomação como parlamentar, a lei determina que poderá ser processado sem autorização da Casa Legislativa...

- O que ele está falando Felisberto?

O assessor pigarreou antes de falar.

- Prefeito, infelizmente, o delegado quer dizer que ele pode agir sem autorização da Assembléia Legislativa na apuração crime.

- Fale claro, homem!

- O senhor está preso por assassinato, prefeito Robaldo Luis de Meneses – declarou o delegado. – Tenho aqui uma ordem de prisão expedida pelo senhor juiz da comarca de São João do Vale...

- Não! – bradou Robaldo arregalando os olhos injetados. – Não! Não!

Enfurecido, ele correu para dentro de casa. Surpresos com sua atitude, o delegado e os policiais passaram a perseguição. Antes de alcançá-lo, ouviram o grito de uma de suas concubinas. Em seguida, ecoou um estrondo vindo do quarto onde Robaldo dormia anteriormente. Eles correram, para logo se depararem com a cena dantesca de um homem esparramado sobre lençóis torcidos. O sangue espirrara de sua cabeça para a parede atrás da cabeceira da cama, criando uma grande mancha sanguinosa. O crânio se esfacelara e o sangue ainda jorrava, aos borbotões, sobre o lençol roto e sujo. Num canto, as jovens concubinas se abraçavam, aterrorizadas com o que presenciaram.

- Minha nossa! – exclamou um dos policiais. – O prefeito se matou!

O silêncio dominou o lugar, apenas rompido pelo soluçar das jovens em choque. O delegado se aproximou do corpo e, sem tocar em nada, verificou seu estado, para em seguida proferir:

- É... o fim dele não podia ser diferente... a morte é o salário do pecado – disse o delegado, meneando a cabeça. – Chamem a perícia e o carro do necrotério... o caso está resolvido.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

RETORNO A WEB

UM CAFEZINHO E... EU PAGO A PROSA


Prezados leitores, é com grata satisfação que retorno depois de férias prolongadas. Todo retorno é intrincado por expectativas e por uma carga de ansiedade, aflição esta motivada pela receptividade daqueles que nos aguardam, por aqueles que dispensam sua preciosa atenção com nossas obras e ideias. O ano de 2009 foi o ano de lançamento do blog e como não poderia deixar de ser, o início de um projeto sempre é difícil, mesmo que planejado e bem estruturado. Surgem imprevistos que tendem a nos desanimar, mas não devemos esmorecer. Apesar dos obstáculos encontrados, foi muito gratificante materializar – fica até estranho dizer assim no ciberespaço – o sonho de compartilhar minhas obras com o grande público da net.

Reportando-me às férias, elas me proporcionaram o ganho de novas visões, novas experiências, do contato com pessoas e personalidades interessantes, que certamente figurarão nas mal traçadas linhas que divido com meus ilustres leitores. Mas porque não antecipar uma delas?

Aconteceu após o Natal do ano passado. Você já saiu às ruas de sua cidade, no dia seguinte ao Natal? Se não saiu, perdeu fato interessante e hilário. Se saiu e percebeu, viu o que eu vi. Era uma multidão de pessoas caminhando pelas ruas, visivelmente apreensivas, com sacolas nas mãos, em busca da loja ou magazine em que foi comprado o presente que recebeu no Natal. Em seus rostos expressavam a ansiedade e o desapontamento. Afinal, receber um presente de Natal que não se desejava é algo no mínimo desagradável. Procuravam pela loja, cujo logotipo está estampado na sacola, na esperança de encontrar o tamanho adequado da peça de roupa que não lhe serviu ou trocar o objeto que não era de seu agrado. E era um tal de gente indo e vindo pelas ruas e calçadas, procurando loja aqui e ali. Normalmente, as lojas e departamentos não dificultam a troca, desde que se apresente o objeto ou roupa ainda com sua etiqueta original. O que me chamou a atenção e torna a empreitada pitoresca é a preocupação dos agraciados em conseguir o objeto de sua satisfação. Querem efetuar a troca e retornar a seus lares gozando de plena satisfação. Muitas vezes o fato transcorre desta maneira, entretanto, em algumas oportunidades, o pobre presenteado não consegue o objeto de sua preferência e nem o tamanho que lhe é adequado. Então volta para casa, aborrecido que só e entristecido, com o mesmo presente ou com outro que optou por trocar, pensando em usá-lo certamente no amigo oculto do próximo ano.

Bom, neste ano que se inicia você terá muitas coisas para ler, para se entreter e se informar no blog. Não deixe de visitá-lo, serão crônicas e contos interessantes, regados de diversão e boa informação. Desejo felicidades a todos e um profícuo 2010, para todos nós.



ROBERT THOMAZ

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

FÉRIAS

UM CAFEZINHO E... EU PAGO A PROSA

Prezados leitores, agradeço imensamente a atenção e o carinho manifestado por vocês no ano de 2009, quando lancei meu blog na Net. Ocorreram momentos importantes para mim, quando vocês deixaram seus afazeres, suas atividades de lazer e sentaram-se diante da tela de um micro e leram minhas crônicas, meus contos e semelhantes. Buscaram entretenimento e informação nas obras que, graças a Deus, eu pude criar e divulgar. Desejo-lhes um 2010 cheio de paz de espírito, harmonia, saúde e serenidade, com muitas realizações e visitas ao meu blog, é claro. Vou ficar ausente de sua telinha virtual até o início de fevereiro, quando volto a escrever. Nesta ausência, vou me dedicar à família, ao descanso das energias e à leitura, buscando novas ideias e informações que possam trazer entretenimento e informação (lema do blog) aos meus queridos leitores. Até lá bom descanso para todos e felicidades!!!

ROBERT THOMAZ